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Reprodução/Facebook Cada Um Na Sua Casa
A nova animação da DreamWorks, Cada Um Na Sua Casa, chega aos cinemas nesta quinta (09) e traz boas mensagens enroladas numa narrativa que vai encantar a todos. O filme conta a história de Oh, um alienígena da raça Boov - criaturas que viajam pelo universo em busca de um lugar para se esconder dos seus arqui-inimigos; e é então que os Boovs vão parar na Terra, onde eles reacomodam os humanos, enquanto os Boovs ocupam o planeta. 

Na Terra, Oh envia um convite para que todos compareçam a uma festa no seu novo apartamento. Mas o que o personagem não percebe é que, ao enviar o convite para todos, ele realmente enviou para todos os seres no universo! Inclusive para os arqui-inimigos dos Boovs! É dessa forma que a aventura de Oh começa: ele se torna um Boov non grato e deve se esconder para não ser preso. 

Enquanto foge, Oh conhece Tip, uma menina que se perdeu da mãe quando os Boovs realocaram os humanos. Com a intenção de escapar para o mais longe possível, ele concorda em ajudar Tip a encontrar a sua mãe, e, assim, os dois embarcam numa jornada de salvação juntos.

Cada Um Na Sua Casa tem um roteiro mais simples do que a última animação do estúdio DreamWorks, Como Treinar O Seu Dragão 2 - a trama é bem mais infantilizada, os personagens não possuem tanta profundidade e até a fala de Oh, propositalmente fugindo do padrão da língua, devem ser fatores que afastarão os adultos das salas de exibição do filme.

Mas, para o público infantil, Cada Um Na Sua Casa deve ser um sucesso. Tanto Oh quanto Tip são personagens com quem o espectador pode se identificar: ele é alguém que tenta se encaixar, mas acaba sendo deixado de lado; e ela é uma pessoa determinada e em busca de algo. Unido isso ao jeito doce de Oh e a personalidade forte de Tip, eles são os amigos que todas as crianças vão querer ter - especialmente depois de serem motivados pelos brindes da McDonald's inspirados no filme.

Reprodução/Blog Mc Diário Feliz

O ponto principal da história, entretanto, não é amizade entre o alienígena e a garota humana, mas sim a base que fundamenta essa amizade. Tip e Oh são completamente diferentes, e, ao se conhecerem, eles estão cheios de ideias pré-concebidas sobre o outro e isso faz com que eles mantenham distância a princípio. Mas quando conseguem superar o preconceito é que eles enxergam o outro por quem eles realmente são, não por quem eles acham que são. 

O filme, ainda, faz de sua protagonista, Tip, uma miniatura de Rihanna, que dá voz à personagem. Tip é negra, nascida em Barbados, com cabelo natural e com roupas confortáveis, ao invés de roupas simplesmente bonitas. Ter uma personagem como Tip num filme infantil e debater isso é relevante, pois representatividade importa. Quando uma criança assiste a Cada Um Na Sua Casa e vê Tip, ela vai se identificar, vai abraçar a sua identidade e a respeitar a identidade do outro.

Cada Um Na Sua Casa pode não ser uma animação digna de Oscar, mas deveria ser lição obrigatória para as crianças - e para adultos também. É um filme leve, divertido, que entretém e ensina, ao mesmo tempo; e um bom presságio para uma área que ainda exclui minorias, quando deveria estar as aceitando de braços abertos. 


No episódio exibido na terça-feira, 24, a grande chamada seria a revelação da identidade do personagem mais misterioso dos seriados teen: A seria desmascaradx. Mas a máscara continua em seu lugar. O season finale de Pretty Little Liars não cumpriu o que prometeu, mas trouxe uma grande evolução para a narrativa da série.

Todas as outras temporadas mostravam A como um personagem onisciente - sabia de tudo, via tudo e controlava tudo. Enquanto as meninas apenas sofriam as consequências, mas o episódio 5x25, Welcome to the Dollhouse, trouxe pela primeira vez a chance do público, e das liars, chegarem perto de A em sua essência.

Agora mantidas em cativeiro, numa casa de boneca, que é uma retalho de réplicas das casas de cada uma delas, é possível ver o nível de obsessão que A possui - se isso ainda não estivesse claro pelas quatro temporadas anteriores. O cativeiro mostra a obsessão e reflete o cuidado e o planejamento dedicados ao projeto, A seria quase uma Amy Dunne na versão teen e suave da ABC Family. 

Outra surpresa apresentada no episódio é que Mona Wanderwaal está viva, e mora na casa de boneca, onde A faz com que ela interprete o papel de Alison; obrigando-a a tingir o cabelo, usar as mesmas roupas, falar do mesmo modo e pensar como Ali.

Todo esse ambiente milimetricamente coordenado é o que faz com que A consiga satisfazer as suas fantasias de poder controlar todas as liars e fazer parte da vida delas, além das mensagens de texto. O clímax é quando A faz com que elas organizem um baile de formatura, no qual os convidados são manequins, e Mona-Alison e A são coroadxs. 

Contra todas as possibilidades, as meninas conseguem fugir do baile, apenas para descobrir que estão rodeadas por cercas elétricas - e, para o telespectador descobrir, que além da cerca, elas estão rodeadas por uma floresta densa. Escapar não será uma tarefa fácil.

E o ponto que todos estavam esperando veio nos minutos finais e foi decepcionante para quem acompanhou todo o marketing do #BigAReveal. A ABC, mais uma vez, enrolou e não confirmou a identidade de A. Ficou subentendido que A é homem, chama-se Charles e é irmão gêmeo de Jason DiLaurentis, o irmão da Alison. Mas tudo isso, como sempre, ficou nas entrelinhas. Assim como já ficou nas entrelinhas que Toby, Ezra, Jenna, Monna, Melissa, CeCe, Byron e tantos outros eram A. 

O canal conseguiu a audiência que deseja, a hashtag #BigAFinale estava nos trending topics durante todos o episódio, juntamente com a hashtag Who is Charles - que, basicamente, resume o sentimento de quem já conferiu a história. Cinco anos foram gastos para esse momento, que, desde o começo, foi anunciado como diferente do livro, algo inesperado - para que se acabasse tendo algo pior que o final de Gossip Girl. Foi realmente inesperado! A é alguém que nunca vimos, nunca ouvimos falar, nem sabíamos da existência! 

O conselho é  para esquecer a identidade de A, a emissora já provou com o descaso que teve com esse plot que a identidade não é o mais importante. Se você conseguir focar apenas no terror psicológico provocado por essa figura, você vai gostar de continuar acompanhando. Mas caso não, recomendo que abandone PLL, é uma série repleta de furos, não dá para criar expectativa. 
Divulgação/Disney
Assistir o mais novo live action da Disney é uma experiência. Além do longa Cinderela, o espectador também vai poder conferir o curta Frozen: Febre Congelante. O filme tem tudo para repetir o sucesso da obra original, pois investiu na fórmula que já havia dado certo. 

A forte relação entre as irmãs Elsa e Anna, na qual Elsa, apesar de ser a mais velha e possuir poderes, sempre acaba sendo cuidada pela irmã mais nova. E Olaf, o boneco de neve que fez tanto sucesso, ganha destaque, mais uma vez, acrescentando humor à história de sororidade da Disney.

Reprodução/YouTube
Outro personagem que recebeu destaque foi Kristoff, noivo de Anna, que nesse curta aparenta ter mais falas do que teve durante todo o primeiro filme da franquia Frozen. O curta só teve uma música, Making Today a Perfect Day, que não tem potencial para ser a nova Let It Go, mas é pano de fundo para fazer boas referências a momentos do primeiro filme. Frozen: Febre Congelante é um curta para manter a chama da franquia viva, enquanto se espera pelo próximo filme. 

Já quando o longa Cinderela começa, o espectador é imerso na linda fotografia do filme, suave e com tons vivos, lembrando uma pintura impressionista. Outro ponto essencial no filme é o cenário da casa de Ella e sua família, os temas florais espalhados pela casa e os pequenos detalhes como os carretéis de linha fazem a diferença. O imóvel reflete aconchego, amor e força, tudo que existe em abundância na família. 

Nesse live action, a Disney mais uma vez dá dimensões aos personagens, como aconteceu em Malévola. Nenhum personagem é bom só por ser, e nenhum personagem é mau porque decidiu ser. É possível notar o que motiva cada personagem e o faz ser da maneira que é. Esse é um recurso que acrescenta profundidade à narrativa, indo além da dicotomia bem x mal.

O crescimento de Lady Tremaine (Cate Blanchett) merece destaque. Ela é brilhantemente trabalhada no roteiro e executada por Cate, que transforma a Madrasta em alguém com quem é possível se relacionar. O desenvolvimento psicológico dá sentido à história e à crueldade que a personagem vem a apresentar.

O filme, com certeza, ficará marcado como o desabrochar de Lily James. A atriz, que foi parte do elenco de Downton Abbey, exibiu talento ao mostrar uma Cinderela com várias facetas - diferente da boa moça do desenho ou da menina bem humorada de Caminhos da Floresta. Aqui Ella sente raiva, desiste, é impulsiva, mas continua mantendo a coragem e a gentileza características da personagem original.

Reprodução/YouTube
O único defeito é que, ao tentar modernizar alguns pontos, o filme, ainda assim caiu em clichês. Depois da enfática frase de Elsa, em Frozen, sobre amor à primeira vista e casamentos apressados, dois pontos típicos dos contos de fadas; a Disney parece estar tentando correr disso e montar uma base para o relacionamento antes de um compromisso sério. Mas como é uma ideia nova, ainda precisa de alguns ajustes.

Para uma história ter final feliz, ela não precisa terminar em casamento - ainda mais um apressado. E já é hora de tirar esse estereótipo da mulher que precisa ser resgatada pelo príncipe. Durante a divulgação do filme, a atriz Lily James afirmou que Ella não seria uma donzela indefesa - e ela não é. Mas o príncipe ainda a vê dessa maneira, e tenta tomar as decisões por ela e forçá-la a aparecer. São pontos que podem, e devem, ser melhorados até o live action A Bela e A Fera.

Cinderela é um filme para toda a família, que com certeza vai se encantar com a beleza e magia da história. E, juntamente com Frozen: Febre Congelante, tem tudo para levar milhares aos cinemas e ser um sucesso de bilheteria. O curta é apenas um aquecimento para a sua sequência, e o longa é uma mostra perfeita da magia do universo Disney, capaz de recontar a mesma história diversas vezes e torná-la cada vez mais linda. 
Reprodução/Facebook
No episódio que vai ao ar essa noite, finalmente a série Pretty Little Liars vai revelar o seu maior segredo, até agora, quem é A? Essa pergunta assombra todos desde o episódio piloto, que foi exibido em 2010, e mostrou as liars no enterro da Alison. E enquanto esperamos - apenas mais algumas horas roendo as unhas - por essa revelação, que tal você mesmo tentar descobrir quem é A? Nós fizemos uma lista com os maiores suspeitos. Confira!

1. Jenna Marshall: a personagem tá um pouco sumida da série, mas em PLL isso não é desculpa para não causar. Ela pode muito bem estar escondidinha e armando por aí! A Jenna já mostrou várias vezes que é uma verdadeira liar; e acho difícil de acreditar que ela não queira se vingar ainda mais pela cegueira que as meninas a causaram. 

2. Mona Vanderwaal: será mesmo que a Mona está morta? Na verdade, quando alguém está realmente morto em Pretty Little Liars? O assunto é um tanto incerto por lá, mesmo com o corpo, sempre cabe espaço para dúvida. E a Mona já sofreu muito nas mãos da Ali e das suas minions, e, inclusive, a Mona já foi A. Então quem pode afirmar que ela não continuou sendo?

3. Ezra Fitz: não se deixe enganar pela cara de bom moço, Ezra tem os seus segredos. Escondeu sua família, sua herança, seu possível filho e, o mais importante, o fato de ter ido para Rosewood com o intuito de espionar. O Mr. Fitz sabe enganar e conta com o seu charme para sair ileso. É a fórmula perfeita para o homme fatale. 

4. Melissa Hastings: ela tem motivos de sobra para odiar a Ali, e dinheiro o suficiente para arcar com toda a máfia que é ser A. Ir para a Inglaterra pode ser uma maneira de despistar as meninas, ainda enviando aquele vídeo tão comovente para a Spencer.

5. Aria Montgomery: sim, você leu certo. Estou sugerindo que a Aria pode ser A! Se você lê muitas teorias criadas por fãs, como eu, vai perceber que tem caroço nesse angu. Primeiro, as mensagens ameaçadoras só começam depois que a Aria volta da Europa. Num dos primeiros episódios, Mona chama Aria de "big A" e, um tempo depois, quando perguntada sobre quem é A, a produtora da série responder "#bigA". Também, Aria foi vista numa das cenas enviando mensagem para Ezra de um número desconhecido. E, como se não bastasse, uma das várias bonecas das liars exibidas na série mostra a Aria com um capuz preto, a marca registrada de A. 

6. CeCe Drake: a loira já mostrou que não é boa pessoa, armou algumas e é, confirmadamente, uma das red coats. Ela poderia muito bem ter traído a amizade da Ali, ou as duas podem estar nisso juntas. São tão parecidas fisicamente que seria fácil confundi-las! Será que CeCe vai retornar nesse episódio e mostrar ao que veio?

7. Jason DiLaurentis: ele fazia parte do NAT, e iria sofrer bastante se a Ali vazasse os vídeos do clube. Apesar do Jason não se lembrar de nada que aconteceu naquela noite, isso não é lá um álibi. E se a Mrs. DiLaurentis queria e poderia proteger alguém, essa pessoa é o Jason.

8. Hanna Marin: entre as meninas, ela é a que mais sofria na mão da Ali. E ela queria ser a Ali, ela queria tanto que se tornou. Após a morte da amiga, ela assumiu seu lugar no colégio, tornando-se a mean girl que praticava bullying e com tendências cleptomaníacas. O comportamento da Hanna está bem suspeito nessa quinta temporada, a determinação da personagem está mais forte e, aparentemente, todo esse tempo ela foi a mais nerd do grupo, já que foi aceita em várias faculdades, e sempre escondeu isso. 

9. Andrew Campbell: o personagem pode ser novo na série, mas ele já está lá tempo o suficiente para levantar suspeita. Dono de um comportamento explosivo, uma inteligência bem acima da média, grande força física e um jeito possessivo no estilo Dom Casmurro; Andrew pode muito bem ser A, ou então fazer parte do A team. Jeito para isso ele tem, e capacidade para mentir, também.

10. Maya St. Germain: o corpo de Maya nunca foi mostrado, e sabemos que cenas pesadas não são um problema em Pretty Little Liars. Então será que, na verdade, a Maya ainda está viva? Ela pode não ter motivos claros, ainda, para machucar as meninas, mas a Maya foi uma das personagens mais misteriosas que já passaram por Rosewood. Talvez o blog que ela encheu de vídeos e fotos seja apenas o começo de uma longa rede de segredos.
Reprodução/Facebook Glee
Uma das séries norte americanas mais conhecidas, chegou, nesta sexta (20), ao seu final. Glee, criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk estreou em 2009 na FOX. Com um roteiro engraçado e inovador, que tratava de temas sérios ao som de covers de músicas famosas; Glee se tornou um fenômeno. 

A veia cômica de Ryan, presente até no seu projeto de terror American Horror Story, se mostrou ainda mais evidente em Glee, que acompanhava um grupo losers - como são chamados, na série, os alunos excluídos do resto da turma; e seu crescimento, através do clube do coral.

Grandes nomes foram revelados na televisão, como Lea Michele, que interpreta a tenaz Rachel Berry, e vai conquistando bons papéis graças a sua atuação no seriado. E já tem lugar garantido na nova série de Ryan, Scream Queens. 

Mas nem tudo foi um sucesso nessas seis temporadas. Com o tempo, o show acabou perdendo o foco. Desde o começo, Glee teve um grande número de personagens principais - considera-se principal, aqueles que fazem parte do coral New Directions. Acabaram-se criando tantas tramas, que os roteiristas não conseguiam dar a atenção devida para tudo que acontecia. E isso provocou uma queda de audiência drástica para a série.

Além disso, Glee acabou perdendo um de seus protagonistas. Cory Monteith, que interpretava Finn Hudson, foi encontrado morto em 2013. A série respeitosamente fez um episódio de despedida; e seguiu em frente, o show deve continuar. O elenco se renovou, com algumas exceções, e o público continuou acompanhando os novos alunos do William McKinley High, e os personagens mais antigos e já consolidados, que levaram a série até o mundo da Broadway. 

Glee não deve ser lembrada pela queda na qualidade, mas sim pela inovação que trouxe para os seriados. A série colocou os problemas dos adolescentes em foco, tratou de temas importantes como religião, bullying e sexualidade - empoderou a juventude; e trouxe os musicais de volta. Graças a Glee, surgiram outras séries conduzidas pela música, como Smash e Galavant. Glee deve ser lembrada como um marco para a televisão.

E para marcar esse momento de nostalgia trazido pelo fim da série, nada melhor que relembrar as suas melhores músicas. Por isso nós do Claquete Pop fizemos uma playlist para você ouvir enquanto espera a legenda do series finale sair. É só escutar e curtir.

O legado de Glee

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21/03/2015
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Reprodução/YouTube

Se tivesse estreado antes da award season, Para Sempre Alice talvez não chamasse atenção nas salas de cinema brasileiras. É um filme independente, com diretores fora do mainstream e com um assunto pesado, o mal de Alzheimer. Mas agora, depois de render Globo de Ouro, BAFTA, SAG, Critic's Choice e Oscar a Julianne Moore, o filme deve ganhar a atenção que merece.

Para Sempre Alice, baseado no livro homônimo de Lisa Genova, conta a história de Alice Howland (Julianne Moore), uma Doutora em Linguística, que aos 40 anos é diagnosticada com mal de Alzheimer, uma doença assustadora, sem cura e que altera toda a vida da personagem, e da sua família. 

Filmes que têm uma doença como fio condutor possuem a difícil tarefa de caminhar na linha tênue entre contar a história do personagem e tornar a doença o ponto central da história. Para Sempre Alice é um filme que consegue se equilibrar nessa linha, fazendo o espectador ver Alice além da sua doença, mas também explorando a sua condição com sutileza.

A evolução da doença é rápida e dá fluidez ao filme, que não fica cansativo e nem apelativo, mas retrata a luta diária para recordar enfrentada pela personagem. E a descoberta do diagnóstico de alzheimer pela família, que passa a não enxergar Alice naquela nova mulher, faz o público refletir se as memórias  são a nossa essência, ou se somos mais do que lembranças.

Reprodução/YouTube

Moore foi a escolha perfeita para o papel, sabendo expor as diferentes camadas de Alice conforme a sua doença vai avançando. Dessa forma. o espectador descobre a fragilidade por trás da renomada professora e, também, a força que possui para lidar com sua condição.

Outro destaque do elenco é Kristen Stewart - que recentemente fez história ao ser a primeira atriz americana a ganhar o prêmio francês César. Em Para Sempre Alice, Kristen interpreta Lydia, filha mais nova de Alice, e impressiona com a sua forte performance, evidenciada principalmente através da relação mãe e filha.

Para Sempre Alice é um filme comovente, que ao tratar de uma doença faz uma reflexão sobre a condição humana. E deve ser visto, pela história tocante, as atuações espetaculares - especialmente do elenco feminino; e pela fotografia leve; se nenhum desses motivos forem suficientes, então todos os prêmios arrecadados por Julianne Moore devem convencer o espectador de que o filme vale a pena.

Reprodução/Facebook

O Sétimo Filho vem com o rótulo de "o novo filme da ganhadora do Oscar Julianne Moore", e quem vai ao cinema pode entrar com um pouco de preconceito, achando que vai assistir algo bizarro, digno da nossa coluna de filmes toscos. Mas O Sétimo Filho surpreende, e é uma boa pedida para quem busca puro entretenimento.

O filme é baseado numa série de livros intitulada As Aventuras do Caça-Feitiço, escrita pelo britânico Joseph Delaney, e distribuída nacionalmente pela editora Bertrand Brasil. A narrativa é focada em Thomas Ward, interpretado por Ben Barnes - o detalhe é que, no livro, o personagem possui apenas 12 anos. 

A história é ambientada na Idade Média e Tom é o sétimo filho do sétimo filho, o que significa que ele possui o dom, ou maldição, de ver além dos humanos comuns. Tom enxerga fantasmas, espíritos, tem visões do futuro. E tudo isso faz com que ele seja a escolha ideal para se tornar aprendiz do Caça-Feitiço. Ser um Caça-Feitiço significa lidar com o sobrenatural, fazer exorcismos, defender vilas de maus espíritos e aprisionar bruxas. 

A premissa é interessante, mexe com a curiosidade do espectador. Mas a adaptação poderia ser melhor. O trailer aparenta um filme obscuro, característica de destaque no livro, que é repleto de magia negra. Porém não foi esse o resultado do longa, que passa longe do gênero terror, e acha um lugar em fantasia, ao lado de outras adaptações teens como Eragon e Percy Jackson.

Comparar O Sétimo Filho com essas duas adaptações mal sucedidas não foi coincidência; assim como os outros dois filmes, este conta com uma história que encantou milhares de fãs ao redor do mundo, mas que se tornou uma péssima adaptação cinematográfica. 

Só o fato de Ben Barnes, 33, ter sido escalado para o papel de Tom Ward, 12, já muda muito na história. O livro, que tem um caráter infantil, apesar de tratar de forças das trevas, tornou-se um filme para uma audiência mais velha. A inocência, medo e inexperiência do protagonista são ignorados no filme, que apresenta Tom como um jovem homem corajoso, forte e sedutor.

Já Julianne Moore, depois da brilhante Alice, interpreta Mãe Malkin - não confunda com Mãe de Santo, Mãe Malkin é uma bruxa, rainha do seu clã. A personagem, no livro, é descrita como alguém que lembraria Meryl Streep nos primeiros atos de Caminhos da Floresta; mas O Sétimo Filho não se deu ao trabalho de mexer na aparência de Moore, pelo contrário, a sua beleza foi apenas realçada. E a Mãe Malkin de Moore inspira luxúria ao invés de magia negra.

Reprodução/Facebook
E Jeff Bridges, ganhador do Oscar de melhor ator por Coração Louco, faz uma atuação caricata do Caça-Feitiço John Gregory; e é visível a sua tentativa de parecer com Gandalf, o mago branco (O Senhor dos Anéis), tanto na fala e também em alterações livro-filme; no livro, Gregory sempre prefere caminhar. Mas sua primeira cena no filme o mostra num cavalo, remetendo às cenas de Gandalf cavalgando pela Terra Média. 

Deixando de lado a questão adaptação, O Sétimo Filho consegue ser um bom filme. O diretor Sergei Dobrov, conhecido pelo longa O Guerreiro Genghis Khan, trabalhou bem com o roteiro de Charles Leavitt e Steven Knight. o primeiro roteirista sendo responsável pelo premiado Diamante de Sangue. O resultado foi um filme que tem tudo para agradar os fãs de fantasia: o 3D foi bem utilizado, os efeitos especiais são de qualidade, ótimas sequências de luta, uma mitologia interessante e a história é envolvente, com toques de escuridão, romance e humor.

Deve decepcionar os fãs da saga, mas para quem tem seu primeiro contato com As Aventuras do Caça-Feitiço através do filme, o que fica é a vontade de conhecer melhor esse universo. Até o momento, a série é composta por 13 livros - apenas 8 estão disponíveis em português. Mas com o lançamento do filme, a procura pela série que o originou já é grande, e as livrarias se preparam para receber uma edição especial que contempla os dois primeiros livros da saga, que inspiraram o filme, e será lançada com a capa do filme e nome do mesmo. 

O Sétimo Filho, que estreia dia 12 de março no Brasil, não tem potencial para se tornar grande como a franquia O Senhor dos Anéis, nem render a Julianne Moore mais um Oscar; porém é entretenimento bem feito, e uma boa abertura para a temporada de filmes infanto-juvenis que serão lançados nesse primeiro semestre de 2015. 


Reprodução/YouTube

A nova aposta da canal norte-americano CW veio para sacudir o universo das séries. Num ambiente em que predominam histórias de heróis (americanos), o dia a dia da polícia (americana) e histórias de amor (entre americanos); é refrescante ver o universo latino trazido à televisão na série Jane The Virgin.

Baseada na novela venezuelana de sucesso, Juana La Virgen, a série da CW aborda um tema religioso de uma maneira cômica. A personagem principal, Jane Villanueva, fez uma promessa de que iria casar virgem, mas acaba sendo inseminada artificialmente por engano numa consulta ginecológica. Ah, e o pai do bebê é o seu chefe, por quem Jane tem uma queda. Aí começam as confusões - como contar a família, como explicar ao namorado, como lidar com a família do pai do bebê; e, o mais interessante, ser uma virgem grávida torna Jane uma santa?

O formato, assim como o tema, é inovador para a TV americana; tudo é pensado de forma a se assemelhar a uma novela latina. Cada episódio é denominado de capítulo, e os personagens são apresentados no estilo comercial de novela global. A cada aparição, legendas aparecem na tela dizendo nome e qual a função da pessoa naquela trama. Além disso, Jane The Virgin ainda conta com um narrador que possui um forte sotaque latino e uma voz grave, típica de locutor, que acrescenta um ar de comédia a todas as suas falas - e faz comentários durante o capítulo.

Outro ponto interessante é que, como anunciado antes da estreia pela protagonista Gina Rodríguez, a série quer mostrar o empoderamento latino. Em Jane The Virgin, os latinos não são apenas os empregados, os garçons ou as Marias do Bairro. Não, em Jane The Virgin, os latinos são cantores, empresários, médicos... Sim, os latinos também podem ascender!

Para melhorar a aceitação de uma novela mexicana num canal americano, a emissora apostou em rostos conhecidos pelo público estadunidense, como Andrea Navedo, que interpreta Xiomara, e é conhecida por seu papel em Law and Order; e rostos conhecidos pelo público latino, como Jaime Camil, o Rogelio, que interpretou o protagonista na novela La Féa Más Bella.

A inovação poderia ter sido um desastre, mas a aposta rendeu; e a CW, um canal geralmente ignorado em grandes premiações, recebeu duas indicações ao Globo de Ouro pela nova série: uma na categoria melhor série de comédia, e outra em melhor atriz numa série de comédia - que foi vencida por Gina Rodríguez, que interpreta a Jane.

Com números de audiência abaixo do esperado no período de estreia, as indicações ao Globo de Ouro foram o bastante para garantir a renovação da série, e para alavancar os números de audiência, tornando Jane The Virgin um dos maiores sucessos do canal.

A pergunta que fica é por quanto tempo a série irá durar, apesar de ter sido renovada, a CW não é famosa por suas comédias; e ainda, o formato de novela não é feito para durar mais do que dois anos, no máximo. Jane The Virgin é a anomalia da rede que deu certo, uma série de comédia voltada ao público adulto, com sotaque latino e mostrando que "yes, we can!"
Reprodução/Facebook

Até o momento, 50 Tons de Cinza é a maior sensação do ano. O livro já mexeu com o mercado de sexshop, motel e até de lojas de ferragens. E agora que o filme está prestes a estrear, o que se pode esperar dessa febre em 50 Tons?

Para quem vai ao cinema depois de ler a nossa crítica do livro com baixas expectativas, o filme pode ser uma boa surpresa. O longa tem uma das melhores trilhas sonoras atuais, trazendo clássicos como I Put a Spell On You e a popular Crazy in Love com novos arranjos, especialmente para o filme, ressaltando a sensualidade da letra e se encaixando perfeitamente nas cenas. Algumas delas, inclusive, parecem até terem sido escritas no mesmo timing da música, tamanha precisão entre cena e trilha sonora.

A diretora Sam Taylor-Johnson, conhecida pelo filme Garoto de Liverpool, fez o que pôde com a história rasa que lhe foi apresentada. O roteiro foi feito pela própria autora de 50 Tons, a E.L. James; e, por isso, o filme é bem fiel ao livro - alguns diálogos chegam a ser exatamente iguais. Antes da estreia, vazou na internet uma polêmica envolvendo a cena final do filme, roteirizada por James, mas modificada por Sam. A versão que ficou no longa é a da autora, que brigou para que a palavra "pare" fosse utilizada ao invés de "vermelho", sugerida por Taylor-Johnson que remete aos limites rígidos do contrato entre dominador e submissa; mas a versão proposta pela diretora seria bem mais adequada, ao meu ver. 

Uma das poucas, mas relevantes diferenças entre filme e livro, e que não deveria existir se a autora fez o roteiro, é que falta a tensão sexual entre os personagens. No livro, nota-se a eletricidade entre Anastasia e Christian em cada momento que estão juntos, mas no filme isso não é explícito; o relacionamento deles fica com cara de amor à primeira vista.

A atuação de Dakota Johnson, como Anastasia Steele, é uma das boas surpresas do filme. A atriz explora as diversas nuances de sua personagem e transmite exatamente o espírito e a inocência descritas no livro. Já Jamie Dornan, o Christian Grey, traz uma atuação previsível, o seu personagem é fechado, misterioso e sexy, e ele incorpora isso, mas faltam as camadas do personagem, o que o torna daquela maneira; então Dornan atua como se ainda fosse apenas um modelo de cuecas da Calvin Klein.

Os tons de sacanagem ficaram apenas no livro, o filme passa longe das cenas quentes tão esperadas. O sexo em 50 Tons de Cinza, que deveria ser o ponto alto, é comportado. O BDSM e a linguagem foram suavizados, talvez com a esperança de baixar a faixa etária e atrair o público teen; mas torna-se um ponto negativo no filme. Punições, chicotes e açoites são objetos efêmeros nas cenas e não uma das principais fontes de prazer do dominador Sr. Grey. E a nudez, tão presente e naturalizada no livro, é pouco explorada na tela, ficam apenas alguns quase nus frontais. 

Reprodução/Facebook

Mais uma das poucas, porém relevantes diferenças entre filme e livro é a relação de Anastasia com as práticas sexuais de Christian. Não fica claro em momento algum do filme se ela sente prazer ou repulsa pelos castigos aos quais é submetida, o que acaba obscurecendo um dos lados do seu relacionamento com Grey.

O longa 50 Tons de Cinza repete a relação abusiva e machista apresentada no livro, mas sem o atrativo das bem detalhadas cenas do sexo, o que pode desapontar o público que vai ao cinema esperando um softporn. E ao tentar trazer o BDSM para o mainstream, o filme erra na dose e o suaviza tanto, que perde-se a essência da prática; 50 Tons será um sucesso de bilheteria, mas não um sucesso memorável. Talvez consiga a atenção de adolescentes cheios de hormônio e loucos para dar uma espiadinha nos espectros mais sexuais da vida.


A trilogia 50 Tons foi responsável por trazer de volta o mercado de livros eróticos, hoje você pode entrar em qualquer livraria e encontrar seções dedicadas inteiramente a esse gênero - não sei se a qualidade deles chega aos pés de Lolita (Vladimir Nabokov), mas para quem é curioso ou ocioso, vale a pena experimentar.

A primeira coisa que você precisa saber sobre 50 Tons de Cinza (E.L. James) é que ele é, na verdade, uma fanfiction de Crepúsculo (Stephenie Meyer). E fanficions, para quem não sabe, é o universo de um livro que já existe reescrito por um fã. Então, para simplificar, os protagonistas de 50 Tons de Cinza são Bella e Edward. Sim, eles são. A forma como Anastasia descreve como se sente perto de Christian Grey é a forma como Bella enrubescia e "esquecia de respirar" quando estava perto de Edward.

A história do livro fala da jovem Anastasia Steele, uma estudante de Letras, que entrevista o magnata Christian Grey e se descobre hipnotizada por ele e seu jeito autoritário. O que Anastasia ainda não sabe é que Christian é autoritário além do que ela pode imaginar, ele é um Dominador praticante de BDSM (Bondage, Disciplina, Submissão, Sadismo e Masoquismo), e Ana é virgem, e possui ideais românticos típicos de filmes de princesa da Disney. 

A narrativa é extremamente confusa, pois a proposta do livro é atingir o mercado erótico adulto, mas a escrita é extremamente infantil. O relacionamento de Anastasia e Christian, fora do Quarto Vermelho, é um romance longe do rótulo "moderno" com o qual a trilogia 50 Tons se vende; o romance deles é de portão de casa: conservador e abusivo. 

Um dos grandes atrativos da obra é que ela foi escrita por uma mulher e para o público feminino, vende-se a ilusão de que o livro 50 Tons possui tudo que uma mulher deseja. Porém o livro volta ao tradicional, mulher submissa e homem provedor.


Reprodução/Leticce

As cenas de sexo, que deveriam ser o destaque do livro, não são mais apimentadas do que podemos ver na novela das nove, o frisson se deve apenas pelo uso dos brinquedos sexuais, que esquentam o capítulo por uma página, mas na próxima já volta para a narrativa morna e sem graça de E.L. James.

Considero que o que torna cenas de sexo tão dentro do esperado é que o livro, em teoria, trata da descoberta da sexualidade pela Anastasia. Mas todas as cenas de sexo giram em torno da penetração, como se esse fosse a única maneira para a mulher obter prazer, ou seja, que a mulher só é um ser sexual quando está com um homem. E isso é o que vemos em 95% dos livros, filmes e séries por aí, então todo o tom "inovador" de 50 Tons de Cinza vai por água abaixo.

Um ponto que considero discutível no livro, e em vários do gênero, é a necessidade de justificar o BDSM, como se fosse algo imoral. É comum ver práticas sexuais sádicas sendo explicadas como reflexo de uma infância difícil, de abuso sexual ou algo pior. A literatura erótica deveria contribuir para tirar o BDSM desse espectro de imoralidade, e não empurrá-lo para o escuro ainda mais, sendo aceitável apenas quando pode ser justificado.

50 Tons de Cinza acaba sendo mais do que é visto nos romances por aí, porém com uma escrita rasa e algumas cenas de sexo para chamar a atenção do público. Quem for ao cinema conferir a adaptação deve manter suas expectativas bem baixas, pois pelo livro, serão longas duas horas acompanhadas pelos novos Bella e Edward em tons de cinza, sacanagem e monotonia. 


Corações de Ferro pode passar despercebido na programação do cinema como mais um filme sobre a Segunda Guerra Mundial. Mas o olhar de David Ayer, diretor de Marcados para Morrer e Os Reis da Rua, é o diferencial que faz o filme se destacar dos tantos outros que abordam o mesmo tema.

No filme, Wardaddy (Brad Pitt) é responsável pelo comando do tanque de guerra Fury (título original), composto por uma equipe de cinco homens que o opera, fazendo sua incursão na Alemanha Nazista. Em menor número, e tendo que lidar com um soldado novato, o personagem de Pitt é responsável por unir o seu batalhão e fazer com que eles trabalhem em sintonia.

Mostrar a perspectiva da guerra a partir do tanque e do pequeno grupo que vive nele é, definitivamente, o maior chamativo do filme. Já fomos bombardeados por filmes de trincheiras, de pilotos de avião e infantaria. Ver a guerra dentro de um tanque é inovador, e revela que o combate não é a parte mais difícil da guerra; difícil mesmo é suportá-la, num nível espiritual. 

O interior claustrofóbico do tanque exige disciplina e, também, bom humor para aguentar a ameaça constante, o sentimento de insegurança. Cabe a Brad Pitt interpretar a figura pouco paterna e totalmente profissional que une aqueles homens tão diferentes.

Corações de Ferro rende boas atuações: Brad Pitt, Shia LaBeouf, Michael Peña, Jon Bernthal e Logan Lerman são crus, fortes e inseguros, como os seus personagens exigem. O destaque fica com o jovem Lerman, que coleciona bons papéis em seu currículo e já perdeu de vez o estigma de ter sido o protagonista do péssimo Percy Jackson.

A fotografia do filme é de total harmonia com a trama. Os tons de cinza realçam o ambiente inóspito da guerra; e as cenas dentro do tanque deixam o espectador ansioso pela falta de espaço. E a mudança da fotografia quando sobem os créditos do filme, deixando-o com um aspecto em quadrinhos, revela a beleza que é rara de encontrar nos tempos de guerra.

Para os amantes de filmes de ação, Corações de Ferro pode decepcionar. Há longas tomadas nas quais o foco é o diálogo ao invés da batalha. No entanto, quando as cenas da batalha chegam, não decepcionam, afinal, ação é a especialidade do diretor David Ayer. E para quem deseja assistir um bom filme, Corações de Ferro e a sua análise da crueldade e esperança em tempos de guerra, deixa qualquer um hipnotizado em sua cadeira. 
Reprodução/Facebook

Quem vai ao cinema procurando mais uma romantização da vida de um artista, vai se arrepender, pois não é essa a proposta de Paulo Henrique Fontenelle. No documentário Cássia, o diretor, conhecido pelos seus trabalhos em Dossiê Jango e Mauro Shampoo, retrata a vida da cantora Cássia Eller mostrando seus acertos, suas falhas e tudo que a fez ser o mito que é.

Através de entrevistas com parentes e amigos, o documentário desenrola a carreira de Cássia Eller e, ao mesmo tempo, a sua vida pessoal - mostrando que cada momento íntimo seu, refletia na sua música. A arte era a catarse de Cássia e, apesar de ser uma mulher tímida, no palco ela era visceral e expunha todos os seus sentimentos na forma como interpretava cada verso. Cássia compunha, mesmo quando a letra não era dela. 

O documentário é feliz em abordar assuntos que poderiam ser polemizados nas mãos de outro diretor, mas que aparecem com naturalidade através da direção de Paulo Henrique. A homossexualidade, o relacionamento poliamor e o uso de drogas não são estrinchados na tela, apenas apresentados de forma real. 

Ao entrevistar Maria Eugênia, companheira de Cássia, é possível adentrar no universo interior da cantora e perceber, por exemplo, as mudanças muitas vezes sutis que aconteceram ao longo da sua vida até as mais drásticas, como a gravidez, que deu uma nova perspectiva à Cássia e fez com que ela mudasse sua forma de viver e de ser artista.

A narrativa da figura perturbadora que foi Cássia Eller, faz com que o espectador se emocione não por ângulos forçados da câmera, mas sim, por ao longo do documentário, você se dar conta do quão especial e importante ainda é Cássia Eller, e as lágrimas ao final da sessão vêm com a mesma espontaneidade que transbordava da cantora.  

O relicário de Cássia

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27/01/2015
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Cinebiografias estão por toda parte nesta temporada de premiações. Metade das produções indicadas ao Oscar de Melhor Filme são biográficas. Foxcatcher não está indicado aos melhores filmes, mas angariou importantes nomeações, como Melhor Direção (Bennett Miller), Melhor Ator (Steve Carell) e Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo).



Baseado em uma história real, Foxcatcher conta a história dos irmãos campeões de luta-greco romana Mark Schultz (Channing Tatum) e Dave Schultz (Mark Ruffalo), que estão em treinamento para os Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Mark é apresentado como um rapaz introspectivo e triste, que está passando por vários conflitos internos, e a caracterização de Channing Tatum surpreende. O personagem de Steve Carell é o magnata John du Pont, herdeiro de uma família poderosa que lucrou muito com a guerra civil americana. Quando John du Pont convida Mark para fazer parte do seu Centro de Treinamento de Luta - Foxcatcher, uma fazenda bucólica  com todo luxo e conforto para se preparar para os jogos, Mark  vê uma oportunidade real de ser o campeão olímpico de 1988. Ao aceitar a proposta de John du Pont, ele  convida o seu irmão Dave para ir junto, que se recusa a deixar o local onde já está estabelecido.

O diretor Bennett Miller  (Capote) aposta em uma projeção sem trilha sonora, o que deixa a tensão entre os personagens mais evidente. Planos abertos da fazenda e sua mansão em tons frios revelam o mundo deprimente em que John du Pont se resigna. A maquiagem pesada,  a qual o ator Steve Carell se submeteu, ajudou bastante em sua atuação. John é um homem sem expressão, um tanto egocêntrico e carente de atenção, que faz de tudo pra agradar a sua mãe, que não aprova nada que o filho faz.

O filme tem como foco inicial o lutador Mark Schultz, até a aparição de John du Pont, que usa de todas as suas armas $ para levar qualquer um ao seu mundo. Talvez o maior defeito de Foxcatcher esteja em seu ritmo lento, que poderia ser mais enxuto que as suas 2 horas e 10 minutos de duração.
A construção da tensão é um grande acerto. Mark e John desenvolvem uma relação de amizade tão estranha, que o desequilíbrio emocional presente nos dois faz com que se crie um suspense em torno de quem vai explodir primeiro durante o longa.

O elenco se mostrou realmente preparado para os personagens. Steve Carell assistiu à horas de gravações que mostravam o verdadeiro John du Pont, enquanto Mark Ruffalo e Channing Tatum treinaram luta greco-romana por 6 meses, e o resultado pode ser conferido em várias cenas durante o filme.

Foxcatcher se mostra um filme sombrio sobre loucura e pressão psicológica, e com os atores Channing Tatum e Steve Carell fora de suas zonas de conforto, o que já é um incentivo para assistir ao filme, que entra em cartaz nesta quinta (22). 
Divulgação/Diamonds Films Brasil

Depois de um primeiro filme meia boca, cuja única razão para continuar na memória do público é ter sido "o filme de terror do cara de Harry Potter"; A Mulher de Preto 2: Anjo da Morte surpreende pelo seu amadurecimento, trazido pelo diretor Tom Harper, que não tem nada muito especial em seu currículo, mas mostrou talento no longa de terror.

O filme se passa 40 anos após a visista de Arthur Kipps (Daniel Radcliffe) a casa Eel Marsh. É o período da Segunda Guerra Mundial e um grupo de crianças evacuado de Londres é enviado à casa para abrigo, supervisionado por Eve Parkins (Phoebe Fox) e Jean Hogg (Helen McCrory), mas lá eles despertam a mais antiga habitante de Eel Marsh. 


Phoebe Fox interpreta uma personagem bem construída, com motivação e que possui uma história que acrescenta muito mais a trama do que o protagonista do primeiro filme, interpretado por Daniel Radcliffe. Porém a sua relação com o personagem de Jeremy Irvine, um piloto dos Aliados, é um pouco abrupta, e ele parece surgir na trama apenas para encarnar o galã e ela, a mocinha quase indefesa. 


Diferente do primeiro filme, em Anjo da Morte é construída uma atmosfera de terror, ao invés de cenas dispersas de susto. Na verdade, a mitologia da Mulher de Preto cria mais terror do que as aparições dela em si. No primeiro filme, o rosto da personagem surgiu na tela diversas vezes, para criar aquele impacto pela figura macabra; Anjo da Morte cria um espectro no filme, só de saber que ela está lá, já é o bastante para deixar o seu coração levemente acelerado.


A Mulher de Preto 2: Anjo da Morte mostra o amadurecimento tanto técnico da produção, que melhorou em cenários e fotografia; quanto o da trama, que se tornou mais densa e envolvente, mesmo em cenas clichês de susto, é garantido que você vai se assustar. A Mulher de Preto cresceu e, quem sabe, não volta num próximo longa para distribuir mais sustos, pois "ela nunca perdoa, ela sempre volta, não há como escapar da Mulher de Preto".