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Por Rostand Tiago

Em 2001, o célebre escritor Neil Gaiman (autor da série de quadrinhos Sandman) trouxe ao mundo o inventivo e excelente romance Deuses Americanos, que não demorou muito para se tornar cultuado. Desde 2011, emissoras correram atrás para passar levar a rica narrativa de Gaiman dos livros até a televisão. Inicialmente planejada para ser produzida pela HBO, a série ganhou vida no canal Starz em 2017, nas mãos dos roteiristas Bryan Fuller (Hannibal) e Michael Green (Logan), que já demonstraram sua capacidade para desenvolver trabalhos para TV. Porém mesmo levando todo esse tempo para chegar às telas, ambos não conseguiram achar uma história para contar, levando em conta toda a riqueza do material de origem. Sim, American Gods pode até ter conseguido levar o apelo visual do romance em que foi inspirado, mas passa longe do potencial dramático original.

O enredo gira em torno do detento Shadow Moon (Ricky Whittle), que recebe a notícia da morte de sua esposa, Laura Moon (Emily Browning), em um acidente de carro poucos dias antes de ser solto. Com isso, sua liberdade é adiantada e um Shadow sem perspectivas futuras é quem deixa a penitenciária. É nesse momento de vulnerabilidade que o ex-presidiário é abordado pelo misterioso Mr.Wednsday (Ian McShane), um homem poderoso que contrata Shadow como seu guarda-costas. Juntos, eles viajam pelos Estados Unidos buscando alistar divindades antigas de diversas origens (russas, irlandesas, africanas) que se encontram no país, mas de forma enfraquecida pela perda da fé nelas com o passar dos anos. O objetivo dessa jornada é juntar forças para combater novas divindades que conquistaram a crença e o culto da população. Exemplos desses são a Mídia (a Media, vivida por Gillian Anderson) e a Tecnologia (o Techincal Boy, feito por Bruce Langley).



A busca das divindades, sejam elas velhas ou novas, da manutenção de suas existências por meio da obtenção de novos adoradores é a alegoria mais forte da narrativa. O desenvolvimento do conflito entre essas entididades carrega um potencial dramático de grande força, com vários ramos e interseções a serem explorados. E é justamente o fraco desenvolvimento desse conflito que empaca American Gods numa trama maçante. O texto de Fuller e Green se perde em que história contar, não conseguindo equilibrar a apresentação de personagens com a construção de uma ameaça que os colocará em conflito, criando um arrastamento no ritmo do enredo. Esse arrastamento fica mais significante quando somos apresentados ao arco de Laura Moon, esposa de Shadow que retorna dos mortos. São dadas horas a fio para se desenvolver os objetivos e a personalidade da moça em uma subtrama que desvia o foco da narrativa. Não que a história de Laura Moon seja dispensável, porém a decisão de dedicar episódios inteiros ou quase inteiros apenas para ela e suas motivações acaba e se tornando um anticlímax.

Entretanto, se a série peca em aspectos de enredo e ritmo, ela acerta em sua composição visual e sonora, estabelecendo uma atmosfera visceralmente fantástica. O uso amplo de cores saturadas e quentes, movimentos desacelerados e uso de trilhas sonoras que dialogam com as origens de certos personagens conferem o tom surreal do mundo explorado por Shadow e pelo público. Já o emprego de uma violência gráfica explícita tenta compensar a falta de choques dramaticamente importantes, usando até mesmo referências a outras obras, como o clássico Laranja Mecânica.

Porém, há algo que funciona tanto visualmente como dramaticamente em American Gods. Trata-se dos enxertos em flashback que narram como foi a chegada das divindades antigas na América. Filmados em dimensões de tela diferentes do padrão da série, esses momentos funcionam como curtas dentro dos episódios e talvez pudesse ser a solução para a incapacidade de equilibrar a apresentação das personagens com o desenvolvimento do conflito. Um dos pontos mais fortes do seriado é justamente o enxerto que mostra a evocação da entidade africana Ananse em um navio negreiro que rumava ao novo continente. Embalado por um jazz intenso, Ananse relata para os futuros escravos como será a vida de dores e sofrimento deles e das futuras gerações da população negra naquele novo lugar, como destaque para a desenvoltura da performance do ator Orlando Jones na pele de Ananse.

Em termos de atuação, o destaque maior fica com o veterano Ian McShane, que traz uma canastrice já recorrente no trabalho do ator para o Mr.Wednesday, ainda carregando um tom de voz sóbrio e grave. Já o Shadow de Rick Whittle é composto por uma inexpressividade e passividade que acaba funcionando, transmitindo a falta de perspectivas, mesmo diante de situações tão absurdas como as que vive trabalhando para Wednesday. Destaque também para Pablo Schreiber na pele do leprechaun irlandês Mad Sweeney, que consegue garantir bons momentos no morno arco de Laura Moon.

Com isso, a primeira temporada de American Gods acaba parecendo um gigante primeiro episódio, em que ameaças se apresentam de forma tímida enquanto se é apresentada uma mitologia fascinante, porém incapaz de não deixar a série extremamente expositiva por si só. Mesmo que apresente discussões válidas sobre crença, fé e adoração, o show não funciona inteiramente justamente por não apresentar eventos de grande peso para o andar da história. O que resta é aguardar uma segunda temporada mais movimentada, uma vez que a primeira acaba usando suas horas de história para tentar montar um tabuleiro.
Divulgação Netflix
A Netflix estreou no dia 08 maio, depois de um longo hiato(foram quase dois longos anos), a segunda temporada da série queridinha da empresa, Sense8. Mesmo contendo um pouco dos ânimos dos fãs lançando um episódio especial de natal, que logo depois foi caracterizado como o primeiro da nova temporada, a ansiedade para o show tinha finalmente chegado ao fim.

Quando soube que se tratava de uma série, na época, das irmãs Wachowski, Lana e Lilly, imediatamente me interessei pelo show, afinal, são as criadoras do revolucionário Matrix(1999). Impossível não criar uma certa expectativa sobre a estreia, e ela foi no minimo, avassaladora. Logo a série obteve seguidores e fãs do mundo inteiro, inclusive, claro, do brasil, que parece ser um dos mais apaixonados. A própria netflix não divulga números, mas sua segunda temporada exigiu um orçamento de U$ 9 milhões de dólares para cada episódio, por tanto, seus números devem ter surpreendido os executivos em sua temporada de estreia,

Sense8, em sua temporada de estreia, não consegue ser tão cativante de inicio, engrenando e tomando forma a partir do final do seu terceiro episódio, logo depois disso, não existe ninguém que não consiga um apego com os personagens principais. Capheus, Will, Sun, Nomi, Kala, Riley, Lito e Wolfgang. Entre eles existem, os odiados, amados, as histórias fracas e os personagens que nem deveriam existir, mas tudo se encaixa, e o final da temporada entrega ação, um papel fundamental para cada personagem e um enigma para o segundo ano. Mesmo com alguns erros, a temporada consegue se firmar e manter um ritmo maravilhoso.

Divulgação Netflix
Sabemos o quão difícil é manter um show televisivo atraente para sua audiência, firmando de vez seus seguidores antigos, e criando novos fãs para a trama, perpetuando, assim, boas temporadas anos a fio. Poucas são as séries que conseguem essa proeza, e nem sempre com perfeição.

E para Sense8, isso passa longe! A segunda temporada tem um desenvolvimento pífio diante de sua antecessora, as cenas que encantaram o público ainda existem, estão lá, mas não são suficientes para garantir uma boa trama. Lindas imagens aéreas, alguns cenas sexuais(os fãs amam), mas nenhuma trama realmente bem desenvolvida durante mais de onze horas de série. Existem personagens que conseguem um desenvolvimento interessante, pouco, mas conseguem. O que não adianta muita coisa, já que o final parece esquecer qualquer desenvolvimento individual dos personagens.

Divulgação Netflix
Mesmo que existissem histórias altamente desenvolvidas nesta segunda fase, parece que a solução para a diretora, sim, uma única, já que Lilly Wachowski preferiu se afastar da produção para concluir sua transição. Com isso, pôs todo o peso da produção nas costas de uma única pessoa, Lana, que passou a ter o controle de praticamente tudo na produção, do roteiro a direção do novo ano da série.

Mas ainda assim, não justifica o final apressado, mal resolvido, e um desfecho cômico(não no bom sentido da palavra). O desfecho dessa temporada não chega a ser desastroso, mas decepcionante, por expôr situações que há muito estavam no imaginário dos fãs, mas foi feito com desdém, sem atenção e com uma pressa sem sentido. Nem ao menos uma maior exploração sobre outros sense8 pelo mundo torna a história convincente, ou ao menos interessante. Existe até a ideia por parte de um grupo sobre a dominação dos "sapiens", como eles falam, e acaba soando como uma versão mal escrita e descartada de algum filme dos X-Men.

Divulgação Netflix
Sem evolução, sem atenção e sem sair do lugar, Sense8 encerra sua segunda temporada em um ritmo desnecessário e pouco didático, sem o mesmo brilho que teve sua temporada original, faltando coerência, sentido e respeito para com a própria trajetória. Agora resta esperar pela sua continuação, que chega a netflix em 2019, para, talvez, seu último ano.

Divulgação Disney
Após  pouco mais de um ano, a Pixar retorna nesta quinta-feira aos cinemas brasileiros com a sua mais nova aposta: Divertida Mente. Infelizmente, a Pixar enfrentou maus bocados com o adiamento do filme Good Dinosaur, que seria o filme do estúdio para 2014, mas devido aos atrasos na produção ele foi empurrado para 2015(sim, teremos DOIS filmes da Pixar este ano!).

Apesar de alguns entraves, a Pixar continua original, criativa, e sem sombra de dúvidas, o estúdio de animação mais apaixonante dentre tantos. A fórmula para o novo longa do estúdio já é conhecida: personagens encantadores, uma história com várias lições, e aquele velho toque de mestre, onde eles conseguem compor um enredo que envolve diversas faixas etárias, sejam elas adultas ou crianças.

Divulgação Disney
Em Divertida Mente, somos apresentados aos sentimentos de uma garota de 11 anos, chamada Riley. A alegria, o medo, a raiva(ou seria O raiva?), o nojinho e a tristeza, convivem juntos dentro da cabeça ainda imatura da jovem, mas quem realmente domina o filme, e os sentimentos, é a alegria. Não por mal, mas o personagem quer a todo custo manter os momentos da jovem Riley sempre felizes. Entretanto uma confusão na "sala de controle" acaba levando a tristeza junto com a alegria para fora do local. Com a sala de controle dominada pelo medo, nojinho e raiva, a instabilidade na vida da garota Riley é interminável, e várias situações e desafios serão enfrentados.

Com isso, apesar do tom infantil, o filme torna-se uma aula de psicologia e simbolismo. Tudo representa algo na vida da personagem, e o acidente motivará uma reviravolta nos sentimentos da Riley. O filme trás questões bastante relevantes, e digamos assim, dão-se "rostos" aos acontecimentos de nossas vidas. Como, por exemplo, os nossos sonhos. Uma das cenas mais engraçadas é justamente o fabricar de um sonho, que é hilário, e funciona como cinema. As analogias durante o longa são incansáveis, e muito bem posicionadas.

Divulgação Disney
Com um final emocionante(pra variar), e lições de vida concebidas de um ponto totalmente diferente, Divertida Mente, brinca brilhantemente com suas emoções, trazendo um ar nostálgico a vários acontecimentos de nossas vidas, e dando forma aos nossos sentimentos. Apesar do tom mais ameno para o público infantil, quem sairá cativado da sala de cinema serão os adultos, esses compreenderão até mesmo as pequenas mensagens e lacunas postas no filme. O estúdio voltou após um período longe dos cinemas, e resolveu brincar com nossos sentimentos, e sabe de uma coisa? Nós vamos AMAR tudo isso!

Divulgação Disney
Divulgação Warner Bros.
Após quatro longos meses de atraso com relação a estreia norte americana, o mais novo filme do visionário diretor Paul Thomas Anderson, estreia em algumas salas do país para o delírio dos seus fãs. Além do atraso, já recorrente em alguns títulos aqui no Brasil, o filme estreia em poucas salas. No caso do Recife, o filme encontra-se em cartaz apenas no cinema Rosa e Silva, infelizmente.

Neste filme, acompanhamos o detetive particular, mais conhecido como Doc(Joaquin Phoenix), que começa a investigar o desaparecimento de sua ex-namorada Sasha(Katherine Waterston), e de seu amante, o bilionário Michael Z.(Eric Roberts). Com essa história em mãos, o diretor consegue explorar ao máximo uma Los Angeles típica dos anos 70. Com muitas drogas, psicodelismo e humor o filme transporta o telespectador para dentro da cabeça do personagem principal, que por vezes te deixa confuso e ao mesmo tempo alucinado.

Apesar das várias participações especiais, entre elas Benicio Del Toro, Maya Rudolph, Reese Witherspoon, o grande destaque, de longe, fica para o ator Joaquin Phoenix. O ator é incrível em sua interpretação, ele realmente prende a atenção de todos que o assistem. Joaquin é atualmente, na minha opinião um dos melhores atores da sua geração, e também o que mais se arisca em papéis e filmes independentes. Logo atrás vem o ator Josh Brolin, que é ofuscado por Phoenix, mas não deixa nada a desejar com o seu policial/ator. O ator Owen Wilson, bem, é ele mesmo.

Divulgação Warner Bros.
Paul conseguiu explorar bastante os anos 70, com todas as suas cores, formas e nuances. A fotografia do Robert Elswit é deslumbrante, as cores são exageradas(no bom sentido da palavra), e os closes são explorados durante toda a película.

Vício Inerente não será por muitos compreendido, nem é um filme fácil. Mas uma segunda sessão, talvez, lhe fará abrir mais a mente sobre ele. É mais um filme que te faz pensar e pensar, e quando você finalmente chega a uma conclusão, ele te mostra mais desafios. A estética e as performances são admiráveis, e o diretor se supera mais uma vez. Se você gosta de desafios, Vício Inerente se mostrará o filme perfeito para você.

Nos últimos anos, o cinema brasileiro vem se rendendo à comédias com inspiração norte-americana para lotar as salas de cinema, e assim conseguir uma bilheteria respeitosa. Super Pai, que estreia nesta quinta-feira, não é diferente. A fórmula é a mesma: a reunião de velhos amigos com personalidades distintas - um fato esdrúxulo que os une ainda mais - e a garota desejada do colegial.

O filme é uma comédia politicamente incorreta, que não chega a flertar, porque ela é realmente objetiva em suas inspirações e consegue trazer tudo o que já vimos, mas com um toque tupiniquim. Aos moldes de Se beber não case e Super Bad, o filme mistura tudo o que deu certo nestes filmes e acrescenta uma "personalidade brasileira" à trama. O personagem do Paulinho Serra, que interpreta um traficante, é um bom exemplo disso.

Ao assistir Super Pai, a sensação é sempre a mesma durante a metragem do longa, "Hum, acho que já vi isso em algum lugar...", e sim, você não estará errado! A premissa do filme é interessante(a troca do próprio filho por um outro garoto), mas infelizmente não passa disso. Com poucas situações e piadas originais, a película se perde em meio aos clichês de filmes já vistos.

Divulgação Universal (Danton Melo)
Os atores tem entrosamento, mas os personagens não são interessantes. Você acaba não se identificando com eles, em principal o Diego (papel do ator Danton Melo). O personagem chega a ser enfadonho e sem graça. Na contramão, e talvez o único papel que valha a pena, temos a ótima Dani Calabresa, interpretando, como ela mesma fala, uma "ex-vadia". A atriz e comediante traz consigo as melhores piadas do longa, e tem uma química perfeita com o Antônio Tabet, vulgo Kibe Louco. Thogun Teixeira interpreta o amigo racional e o cérebro da "turma".

O diretor, Pedro Amorim, vem de um recente sucesso, onde dirigiu "Mato sem Cachorro". O filme não fez feio nas bilheterias, e tinha uma história, até certo ponto, original. Mas aqui o diretor vai pelo caminho mais confortável, e faz um trabalho que não passa do "ok".

Super Pai é mais uma cópia das comédias norte-americanas, que busca principalmente arrecadar bilheteria e público, esquecendo a originalidade e deixando os clichês e roteiro batido tomarem conta por completo. Os personagens não animam, e com raras exceções e bastante esforço, o filme te arrancará algumas risadas. Mais uma vez, bilheteria eles terão, mas qualidade em termos de comédia original, infelizmente, não.



Com esse grande momento do cinema de super-heróis, com o Marvel Cinematic Universe (MCU) bombando, a DC preparando seu próprio universo e a Sony ferrando a imagem de diversos personagens legais, nada mais justo do que lembrarmos uma obra significativa dentro de tudo isso: Howard o Super-Herói (Howard the Duck, 1986), o primeiro filme pras telonas de um personagem da Marvel.


Escrito por Willard Huyck e Gloria Katz, com direção do Huyck e produção executiva de George Lucas, Howart the Duck é comumente colocado nas listas de piores filmes de diversas revistas e portais por aí e, nossa, que injustiça.


É interessante, antes de mais nada, fazer um comparativo com o filme da edição passada desta coluna, o Super Mario Bros. O longa do ícone da Nintendo é realmente difícil de defender, principalmente por passar longe de um fanservice, fazendo praticamente zero referência ao produto original. Se esse é frequentemente um argumento contra um filme de adaptação então cuidado quando for falar de Howard the Duck.


A obra fílmica de Huyck respeita muito o personagem dos quadrinhos, numa época em que readaptar de qualquer forma era a tendência. Assim como nos quadrinhos, Howard do filme veio de um local onde os seres racionais do planeta são patos, cai na Terra na cidade de Cleveland, conhece a mocinha Beverly Switzler, sabe lutar o Quack Foo. Tudo isso foi retirado das próprias HQs de 1973 (primeira aparição do pato) e 1976 (sua primeira revista solo). Vale destacar que essas são características de um personagem bem marginalizado e que provavelmente passariam despercebidas na época pela maior parte do público que desconhecia Howard se fossem ignoradas. 


Mas ok, descartar a mitologia de Howard não é a crítica a qual o público tanto se apega. O “problema” é: durante todo o filme há piadas com relação ao personagem principal ser um pato, indo desde expressões a versões aviárias de produtos conhecidos (Playduck, por exemplo). Isso, mesmo sendo bobo e óbvio, diverte muito e é bastante aconchegante para quem pretende ver um filme sem grandes dramas e tramoias mirabolantes. Então você não precisa assistir pisando em ovos (viram o que eu fiz?), vá ver para relaxar porque ignorar a obra devido ao fato de ter muitas piadas é uma pena (viram o que eu continuo fazendo?).


Mas há uma pergunta que não quer calar (o bico): Se eu já falei o que o filme tem de bom e de ruim porque você continuaria lendo este texto até o final? Então, porque ainda há muita piada infame há ser feita e uma imagem de erotismo elevado que vai valer a pena (eu não tenho um leque muito grande de opções, então algumas piadas vão se repetir, o que é uma pena).


 Howard é um ex-músico que hoje leva uma vida monótona em United States of Anatidae. Uma máquina na Terra apresenta uma falha e puxa, através de todo o espaço, a poltrona na qual o pato estava sentado (isso é ciência, vocês não entenderiam). Howard cai no nosso planeta e agora tem o objetivo de sair da casca do ovo e descobrir como voltar ao seu mundo.


Assim que chega, Howard salva Beverly (Lea Thompson) de um desses malucos que vivem nos becos dos filmes americanos dos anos 80 e assim forma sua primeira amizade. A jovem é vocalista de uma banda fracassada, que toca em um bar de Cleveland.


Alguns críticos podem questionar a forma como os seres humanos se relacionam com um pato falante no filme. Exceto todas as vezes que acham que Howard é um anão em uma fantasia, as pessoas realmente levam muito numa boa o fato. Mas novamente reforço: também é assim que funciona nos quadrinhos. Qualé, estamos falando de uma ave guitarrista! A HQ nunca precisou se levar a sério. O objetivo dela era satirizar com o clima Noir, com o Pato Donald, com os próprios super-heróis, entre outras coisas.


Dito isso, o filme tinha tudo para ser bem melhor. Ele começa bem despojado, com um pato carismático, piadista, metido a cool tentando se adaptar ao nosso planeta. Mais ou menos como nas histórias em quadrinhos. 


O filme faz pensar que o vilão seria um cientista que tenta sempre convencer o pato a aparecer na imprensa e ganhar dinheiro, mas da metade em diante aparece o grande vilão e ele não é muito divertido. Com este personagem, vem uma série de cenas maçantes.


Os efeitos especiais do pato são legais, a movimentação é aceitável. Já os do vilão são bem toscos. Outro aspecto que poderia ter contribuído é o próprio estilo do filme. O Howard do cinema é cool até demais. Nos quadrinhos, ele puxava muito mais para o noir e para um clima de detetive. 


Trabalhar com tal personagem também devia ser o sonho de muito roteirista porque há muita liberdade e situações a serem extrapoladas. Huyck não conseguiu desenvolver o enredo muito bem. Para você ter uma ideia, os primeiros inimigos que o pato enfrenta nas revistas Marvel são um sapo gigante e uma vaca vampira. 


Em resumo, o enredo é fraco, tirando o pato todos os personagens são desinteressantes, algumas cenas são cansativas e o humor é bobo, mas além do humor bobo poder pender para o lado positivo, o filme também tem seus momentos divertidos, grande parte dos efeitos especiais dignos, e é ideal para desopilar durante uma migração em bando para o sul.


Por que assistir a Howard the Duck:


Personagem atual: Howard apareceu na cena pós-crédito do filme Guardiões da Galáxia. Talvez tenha sido apenas uma piada, já que a estreia do blockbuster foi um dia depois do aniversário de 28 anos do clássico de 1986, mas pode ser também que haja planos para o pato extraterrestre e seria bom conhecê-lo melhor.


Imagem de erotismo elevado que vai valer a pena: Além duma cena perturbadora em que quase que Howard afoga o ganso  com Beverly, também temos essa imagem aí embaixo de pura sedução (valeu a pena esperar, certo?)


Mas enfim...

NOTA:

Howard the Duck (1986)

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20/02/2015
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Estréia da coluna "Eu te amo, filme tosco" com a produção desastrosa Super Mario Bros de 1993.



- Então, eu quero que você faça um filme sobre o Mario. 

- Que Mario?

- O dos videogames. Ah, droga, perdi a oportunidade de fazer uma piada agora.

- Beleza. Eu faço o filme.

- Certo. Então, Mario é um encanador e tem o irmão dele, o Luigi, e...

- Beleza. Até a próxima.

- Calma, eu mal comecei a detalhar o universo do personagem.

- Eu tenho o suficiente.

E essa foi a conversa entre o produtor e o diretor de Super Mario Bros. (1993).

Devo logo adiantar que não sou contra reinterpretações para o cinema de histórias de outras mídias. Assim como nos quadrinhos há diversos universos paralelos e origens diferentes para o mesmo personagem e tudo é sempre recontado. Ou assim como o próprio Mario é tenista, piloto, doutor, lutador, menos encanador nos games.

O problema é quando parece que só usaram o personagem para vender o filme e daí mudaram TUDO. É o que parece ter acontecido com o Super Mario Bros., dirigido por Rocky Morton e Annabel Jankel (sério? Foi preciso mais de uma pessoa para dirigir isso?) e roteirizado por Ed Solomon, Terry Runte, Parker Bennett (só pode ser sacanagem... Três?).

Talvez tenha sido essa grande quantidade de pessoas envolvidas com o filme os grandes responsáveis pelo desastroso produto final. Super Mario Bros. sabe nem onde se encaixar nas prateleiras. É aventura, comédia (podemos debater isso), ficção cientifica, ação, fantasia e terror – sim, estou aterrorizado. 

Se você é um leitor atento, deve ter percebido que entre os estilos de filme está ficção cientifica. Sim, isso mesmo, ficção cientifica, pois, segundo a história do filme: há muito tempo, um gigante meteorito atingiu a terra, criando um universo paralelo onde os dinossauros continuaram evoluindo, virando seres inteligentes. O grande líder deles quer agora unir os dois universos e então dominá-los. Não se perca, isso ainda é um filme baseado nos jogos do Mario.

A verdade é que na década de 90, as adaptações americanas estavam mais preocupadas em justificar as coisas. Jamais sairia da adaptação de Mario, fosse quem fosse o roteirista, uma história de um simples cara que pula em tartarugas e vai em castelos para resgatar sua amada princesa (esse desespero pela razão também vitimou Street Fighter, como terei o prazer de futuramente comentar).

Em uma entrevista do diretor Rocky Morton para a Nintendo Life, ele comenta como a ideia original era mais madura, se focando na relação entre Mario e Luigi, e como a produtora achou muito sombrio e deu uma suavizada. Isso é bem notável. Os dilemas dos personagens são vazios e distantes, intercalados por cenas de humor bem desagradáveis, como a de um capanga idiota colidindo com uma placa de vidro. Falha no drama, falha na comédia.

De acordo com Morton, a ideia era imaginar que os produtos vieram na ordem cronológica inversa. Ou seja, queriam mostrar como se Mario e Luigi realmente tivessem existido na vida real e que os jogos que conhecemos tivessem sido baseados em suas histórias. Isso revela toda a soberba americana, como se pensassem: “Vou fazer um filme de um personagem de um game japonês, mas vou construí-lo como se o jogo tivesse se baseado em algo americano, ao invés do contrário”. 

É crueldade dizer que o filme não usou referências do jogo, o problema é que elas parecem ter sido jogadas sem nenhum zelo só para dizer que estavam lá. Temos a grande língua do Yoshi (personagem que possui uma movimentação fluída, sendo um belo efeito especial); uma criatura gosmenta que vive dentro do cano (além da referência ao cano, a criatura é um fungo, assim como um cogumelo também é); Boom Boom Bar (Boom Boom é o nome de um vilão do game); e a batalha entre Koopa e Mario Luigi na ponte que lembra as boss fight dos jogos Super Mario World e Super Mario Bros; entre outras.

O melhor do filme é quando você se dá conta de que o protagonista é o Luigi (John Leguizamo). Finalmente um pouco de respeito para o Mario Verde. Ele é aquele típico inocente-coração puro-sensível que lidera muitos filmes sessão da tarde por aí. É Luigi que tenta passar uma lição de moral durante todo o filme, que resolve grande parte dos conflitos, que está em busca da amada princesa. Ele se posiciona para ser o queridinho do filme e só não é mais porque não consegue ser carismático – ninguém é ali. Mario (Bob Hoskins) é o segundo jogador dessa vez. 

O filme em si não é agradável. É cheio de deus ex machina e explicações mirabolantes. E, bancando o chato contra um filme pastelão, eu pergunto: se vocês de Dinohattan (ok, esse nome da cidade foi bem pensado) são répteis, por que toda essa semelhança com os humanos, com as fêmeas exibindo seus seios em decotes vertiginosos? E por que vocês que se dividiram em universos paralelos lá no período cretáceo sabem falar inglês (as expedições inglesas não tinham limites)?

O desejo de querer racionalizar o bigodudo dos games foi o pontapé inicial para uma adaptação fracassada. O projeto iniciou com a mentalidade errada. Ao menos, tentando dar sentido para o título do jogo e do filme, a razão conseguiu criar o melhor diálogo da obra:

Policial: Nome.

Mario: Mario.

P: Sobrenome.

M: Mario.

P: E você?

Luigi: Luigi.

P: Luigi Luigi?

L: Não, Luigi Mario.

P: Ok, quantos Marios há entre vocês dois?

L: Três. Mario Mario e Luigi Mario.

A Nintendo Life perguntou a Morton qual era a memória mais marcante de ter trabalhado no filme. “Humilhação”, Morton respondeu.

Por que assistir a Super Mario Bros.:

-Superação: Pode transformar sua vida. Ele ensina como personagens que sempre ficaram em segundo plano podem algum dia ter seu momento de brilhar. Apesar que talvez essa fosse a única vez que Luigi preferisse ficar escanteado. 

-Adaptações: O filme também deu fruto a outras expressões artísticas.

Uma história em quadrinhos intitulada Super Mario Bros. 2 está disponível para leitura na internet. O enredo foi escrito pelos roteiristas originais e conta o que aconteceria após o final do filme (sim, o longa termina com o gancho, como se eles realmente acreditassem que fossem conseguir fazer uma sequencia daquilo). O objetivo era que a HQ tivesse dez capítulos, sendo uma página liberada a cada semana, porém, desde outubro de 2014 não há atualizações.

Ainda em 1993 saiu Super Hornio Brothers, paródia pornô com o ícone Ron Jeremy. Será essa a primeira vez que uma adaptação pornô tem um melhor enredo que o filme original (como se eu já não tivesse assistido e já soubesse a resposta, né, galera? (Brincadeira, é óbvio que eu não assisti (é óbvio porque a internet aqui é lenta e ainda está baixando)))?

- (Mario) Party Hard: Dá para fazer uma sessão super empolgante. Chame seus amigos, prepare a pipoca e os bons drinks e se divirtam numa competição de quem consegue descobrir as referencias ao jogo em meio àquele universo absurdo. Há várias outras reimaginações sem sentido não citadas neste texto.

-Criatividade:

Nem pra colocar o bigode...



A prova final de que os diretores estavam sob efeito de cogumelos.

 
"Pai, não consigo dormir", "Foi aquele Yoshi, não foi?"

 
Dennis Hopper, no papel do Presidente Koopa, fez o que era possível. Não agiu como um típico vilão descontrolado nem levou tudo tão a sério.

 E por último e mais assustador:

 
Goomba.
Mas enfim....

NOTA:



Super Mario Bros. (1993)

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30/01/2015
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A polêmica comédia estrelada por James Franco e Seth Rogen teve sua estreia no Brasil. O filme que já pode ser visto pela internet, após a invasão de hackers no sistema da Sony Pictures, finalmente estreou oficialmente no circuito comercial brasileiro e o Claquete Pop recomenda. Se você curte boas piadas, cenas de ação e a atuação hilária (mas que não foi tão boa) do James Franco, corra aos cinemas.

  Os Jornalistas de um programa sensacionalista de celebridades Dave Skylark e seu produtor Aaron Rapoport decidem dar um up na em suas carreiras e partem em busca de uma entrevista exclusiva com o ditador da Coreia do Norte Kim Jong-un, que é fã do programa. Entretanto eles recebem a missão da CIA para assassinar o líder da Coréia. 

  O longa não agradou os líderes da Coreia do Norte e várias ameaças de terrorismo, invasão do sistema etc. foi lançada aos EUA. Vários cinemas ficaram receosos quanto a segurança e decidiram cancelar a exibição do filme em suas salas. A Sony também cancelou o lançamento em vários países, mas por fim, decidiu exibir o longa em apenas algumas salas selecionadas. Os atores principais James Franco e Seth Rogen cancelaram suas participações em eventos de divulgação do filme.

  Após várias ameaças, um grupo de hackers invadiu o sistema da Sony e libera vários projetos futuros da produtora, além o filme completo em HD, roteiros, contratos e vários outros documentos. Por fim, o Brasil recebe esse polêmico e divertido filme que vai agradar os telespectadores que buscam entretenimento e boas risadas. Então corra já ao cinema mais próximo!

  

Estreia hoje, nos cinemas brasileiros, uma das apostas da Disney para o início do ano. Caminhos da Floresta, ou originalmente, "Into The Woods", que conta com a direção de Rob Marshall, que já despontou no comando de grandes produções musicais, vide "Chicago", em 2002.

O triste é saber que o público brasileiro não costuma recepcionar muito bem musicais, vide "Chicago", do próprio Rob Marshall, que amargou uma bilheteria pífia aqui no Brasil.

Com elenco estelar, e a premissa de um de "mix" de contos de fadas, misturando todos num caldeirão e entregando um final particularmente bem diferente dos "finais felizes" que vemos neles(diria até bem surpreendente para os "padrões Disney"), Caminhos da Floresta, vem tentar chamar a atenção de um público que ainda é tímido no país, mas que cresce a cada dia, os apreciadores de musicais.

Divulgação Disney
Baseado no musical de mesmo nome que estreou em 1987, na Broadway, James Lapine, criador, também é o roteirista do longa. Stephen Sondheim compôs as músicas e as letras. Estrelado por Meryl Streep, Emily Blunt, James Corden, Anna Kendrick e Chris Pine, eles encarnam os mais diversos contos de fadas, que incluem: Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, João e o Pé de Feijão e Rapunzel.

O filme torna-se original ao sintetizar todos esses personagens em um mesmo mundo, todos interagindo entre si. A trama é bastante amarrada e certinha. Mas existem alguns problemas cruciais nessa história, e um deles é a escolha de parte de seu elenco. O ator James Corden, a atriz Anna Kendrick e as crianças do longa, são de longe, a pior escolha da película. Cantam bem, são bons atores, mas o carisma deles é zero! Todos, sem exceção, não exprimem carisma em nenhum momento do longa. Você não consegue torcer por tais personagens em momento algum, um erro fatal. Em determinados momentos você chega a torcer contra a eles.

Divulgação Disney
Já na outra ponta do elenco, temos a incomparável Meryl Streep, sempre roubando a cena no que faz, e aqui não é diferente. Sua bruxa má é incrível! Até sua atuação em "Mama Mia", que não foi muito bem recebida, não poderá ser questionada aqui. Meryl canta bem, e não desafina. Emily Blunt é sempre bem-vinda em qualquer produção, com sua atuação confiante e seu timbre de voz completando o bom personagem. Chris Pine é uma grata surpresa no longa, pois além de cantar muito bem, sua atuação como Príncipe é carismática e engraçada.

O terceiro ato do longa tenta inovar, deixando de lado o já tradicional "felizes para sempre", para incorporar algo diferente do universo Disney: Morte, destruição, adultério e um final totalmente diferente das histórias tradicionais já contadas pelo estúdio. Um ponto positivo, mas que não agradará aos mais conservadores fãs.

Rob Marshall consegue entregar um filme interessante, um bom musical. O diretor já tem experiência com eles, e comanda bem. Mas a escolha errada de parte do elenco é comprometedor em alguns momentos. Com um final inovador para o estúdio do Mickey, Caminhos da Floresta, é um bom entretenimento familiar.