O universo nerd brasileiro se concentra em um só lugar nesse feriadão. Recife, capital pernambucana, também ganha título de capital, mas nesse caso da primeira edição da CCXP Tour.

Entre muitas críticas negativas​ em relação à programação, o evento está sendo surpreendente, principalmente pra mim que nunca esteve em uma comic con. É uma oportunidade única e a gente tem que aproveitar.

Mas sem me alongar...vamos ao que rolou no primeiro dia dá CCXP Tour:

Painéis:

Presenciei todos os painéis até o da Fox Film. O primeiro dia no auditório Twitch passou por umas oscilações de público.

O primeiro foi com a presença do mestre Maurício de Sousa, responsável por influenciar gerações a iniciar o mundo da leitura com a Turma da Mônica. No painel, que encheu o auditório, foi apresentado algumas produções feitas que já são conhecidas do público como o canal no YouTube da Turma da Mônica Toy e algumas novidades que estão por vir como dois filmes live-action com a turminha. Um dos longas, será uma adaptação da graphic novel Laços. E o outro será sobre a Turma da Mônica Jovem.





Foto: Maria Eduarda Barbosa

Além das novidades audiovisuais, foram apresentadas novas graphics novels, entre elas a do Capitão Feio (já tô ansiosa pro lançamento). Maurício é muito simpático e fez vários comentários engraçados. Foi uma honra poder vê-lo de perto.

O segundo painel foi com alguns atores e uma das diretoras de Mister Brau, sucesso da Globo protagonizado por Lázaro Ramos e Taís Araújo, que estiveram presentes. Foi um momento muito engraçado e com algumas revelações sobre a terceira temporada. Não estava tão cheio como o de Maurício, mas foi um painel surpreendente. Também teve um papo nerd com eles e Lázaro se revelou um grande fã de X-Men e Game of Thrones.




Foto: Maria Eduarda Barbosa


Depois dá Globo, foi a vez da Fox mostrar sua nova série, que estreia em maio, Prata da Casa. O produto foi criado pelo diretor de Minha Mae é um peça André Pellenz e trata-se de uma comédia. Quem conferiu o painel teve uma surpresa e assistiu ao primeiro episódio da série.

Voltando a lotar o auditório, a Fox Film chegou com conteúdo exclusivo de Alien: Covenant e Planeta dos Macacos: A Guerra. Para o primeiro, foi exibido um prólogo, uma cena exclusiva e um trailer. Já a outra franquia apresentou trailer estendido. Além disso, a Fox trouxe novidade sobre novas animações: Lino (filme brasileiro com tecnologia da Pixar), Capitão Cueca e O Touro Ferdinando, novo filme de Carlos Saldanha.



Foto: Maria Eduarda Barbosa


Expositores

Dei uma passeada pelo pavilhão do centro de convenções e há várias opções para o público visitar. Não é a mesma capacidade da Comic Con de São Paulo, mas há vários estandes legais, principalmente o da Netflix e Warner.

O que superou minhas expectativas foi o Artists' Alley que conta com mais de 100 expositores com trabalhos incríveis pra você conhecer e comprar.



Foto: Maria Eduarda Barbosa

CCXP Tour Nordeste: Primeiro Dia

14/04/2017
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A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é aquele tipo de filme que deixa um certo silêncio na sala de imprensa logo após seu término. Talvez pelo complexo peso que a película exerceu ao longo dos anos nos filmes de ficção científica ou talvez justamente por este motivo, o silêncio.
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O universo de Ghost in The Shell é gigantesco, mas além do mangá original (1989), foi o anime de 1995 o grande responsável pela explosão da franquia, projetando e inspirando outros filmes de ficção científica, incluindo Matrix,  e até mesmo as várias séries com  diversos episódios, jogos, continuações e outros  produtos. Ghost tornou-se além de um fenômeno, sinônimo de indústria de entretenimento ao longo dos anos. 

 
Em suas duas horas de duração, o longa pode ser considerado uma ótima adaptação do mangá e da sua sucessão, o anime, mas falta alguma coisa. A trama parece ultrapassada, como se sua fórmula estivesse obsoleta, nada de novo é acrescido. É apenas a mesma fórmula que já foi empregada em outros  filmes de ficção que lidam com o comportamento entre tecnologia e os seres humanos. Ghost foi à frente do seu tempo em 1989, mas em pleno 2017 ele parece perdido em sua narrativa já explorada massivamente por Hollywood. Além disso, seu terceiro ato é confuso, temos um "vilão" que consegue ser encurralado por uma armadilha piegas, e um roteiro que horas prevê um desfecho para uma sequência, horas não.

O enredo parece cansado e a sensação de "já vi isso antes" permanece por boa parte de sua projeção. A direção de Rupert Sanders não ajuda e o diretor não consegue um bom ritmo nas cenas de ação. Apesar dos $ 120 milhões de dólares depositados no filme, existem cenas questionáveis, como por exemplo em seu desfecho final, em que a personagem de Scarlett Johansson, Motoko, precisa realizar um salto sobre-humano, e quando o seu molde em CGI o faz, parece o Neo, em Matrix Reloaded, lutando contra o exército de agentes Smith's. Falso e nada convincente. 

O design do filme, apesar de interessante também já foi explorado aos montes no cinema. As referências gráficas ao filme Blade Runner são claras. Seus personagens secundários são convincentes, com destaque para a talentosíssima Juliette Binoche(Dr. Ouelet) e Pilou Asbæk(Batou). 

Os fãs da mitologia Ghost in The Shell não terão do que reclamar. O live-action é uma adaptação quase perfeita e fiel ao já aclamado Anime/Mangá. O  problema é o grande público, é um filme caro e feito para fanservice. A história poderia ser revolucionária como foi em 89, mas optaram pela mesmice tecnológica.




M. Night Shyamalan, responsável por um dos maiores suspenses da história (O Sexto Sentido, 1999), volta com tudo no super thriller Fragmentado. O diretor até fez coisas interessantes após O Sexto Sentido em filmes como Corpo Fechado (2000), Sinais (2002) e A Vila (2004). Porém, a partir de 2006 o talento do autor foi colocado em xeque com o lançamento de produções duvidosas como A Dama na Água (2006) e Fim dos Tempos (2008). Estes últimos apresentavam histórias enfadonhas e sem nenhum apelo emocional.

Em Fragmentado, o diretor retorna com uma direção afiada e um roteiro insano que vai agradar e muito os fãs do gênero. A produção é estrelada por James McAvoy (X-Men) e Anya Taylor-Joy (A Bruxa) e conta a história de um homem (McAvoy) diagnosticado com distúrbio de personalidade em que 23 identidades diferentes fazem parte de seu corpo. Uma dessas personalidades sequestra 3 adolescentes no estacionamento de um shopping e as levam para um lugar inóspito. A partir daí  conhecemos mais sobre o distúrbio do personagem ao mesmo tempo que acompanhamos a trajetória de Casey (Taylor-Joy), que tenta livrar ela e suas amigas do cativeiro.

A tensão é característica central desse filme. Os enquadramentos que o diretor utiliza na primeira sequência são essenciais para causar o efeito de pânico sentido pelas personagens. O roteiro tem um bom ritmo e fica um pouco mais lento em certo momento, porém é tudo uma preparação de terreno para uma insana reviravolta (pontos para o diretor).

James McAvoy entrega uma performance atípica em comparação ao seus papéis anteriores. Visceral, emocional, aterrador, louco. Todas as suas performances são convincentes. A escolha de Anya Taylor-Joy como a heroína do filme não poderia ter sido melhor. A garota protagonizou o aclamado "A Bruxa" e tem tudo pra ser a nova diva dos filmes cult de terror e suspense desta geração.

O filme provavelmente estará na lista de melhores suspenses do ano e  terá uma continuação (esperamos que não, parem as sequências Hollywood). Clássico instantâneo de M. Night Shyamalan, Fragmentado proporciona uma das melhores experiências de suspense desde Rua Cloverfield 10 e vale muito o ingresso.










King Kong é um clássico inigualável. Quando lançando em 1933, foi revolucionário não apenas em seus efeitos, que na época era o que existia de melhor em Hollywood, mas por sua trama ao envolver um primata gigante e trazê-lo para plena Nova York da década de 30.

Depois de várias tentativas de trazer o "macacão" de volta às telas(algumas bem sucedidas, outras nem tanto), incluindo 1976 e 2005 (esta última tentativa assinada pelo todo poderoso Peter Jackson), Kong está de volta, e digo uma coisa, mais poderoso que nunca!

Jordan Vogt-Roberts dirige a nova incursão do animal nas telonas e o faz com maestria! O filme, além de ter um visual deslumbrante, consegue cativar o público em cheio! O ritmo do filme é avassalador, mesclando cenas aterrorizantes e ação descontroladas. Jordan não só acerta como mostra um novo visual ao personagem icônico. Dizem os boatos que o diretor produziu a cena inicial do longa para provar ao estúdio que era apto a dirigir a nova adaptação do monstro, e olha, ele estava certo! Os closes fechados nos olhos dos personagens é uma marca registrada do diretor nesse longa, mostrando toda a fúria e raiva, deixando isso evidente nas cenas.

O grande problema do filme são seus protagonistas. Tom Hiddleston e Brie Larson não empolgam e entregaram apenas caras e bocas.  As expressões de Hiddleston no filme são embasadas em clichês de dos galãs dos anos 40 e em filmes onde os protagonistas não exercem suas funções. Os personagens secundários brilham e sua torcida acabará sendo por algum deles no final das contas. Samuel L. Jackson interpreta o vilão e se sai muito bem.  Um homem frustrado pelo fracasso da guerra do vietnã procurando a todo custo mais uma vitória em seu currículo.

Kong: A Ilha da Caveira não é apenas mais uma tentativa bem sucedida de reimplantar o personagem no imaginário dos mais jovens, ele é um fôlego em meio a tanta produção sem carisma produzidas pelos estúdios atualmente. A Warner apostou em Godzilla alguns anos atrás e acertou em cheio, agora ela volta a acertar revivendo espetacularmente o personagem e mostrando que não existe apenas um macaco gigante, mas toda uma fauna por trás dessa mitologia! Uma dica, fiquem até o os créditos finais, sua cabeça vai explodir com as informações! 





Reboots, remakes e sequências infinitas são a principal fonte de lucro  em Hollywood e parece que isso não vai acabar tão cedo. Em 2005, vimos o incrível remake de King Kong, um filme de 3 horas estrelado por Naomi Watts e Jack Black com direção de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis). A produção ganhou 3 Oscars e foi aclamada pela crítica. Uma continuação nunca saiu do papel e, doze anos depois, a história ganha uma nova roupagem em Kong - A Ilha da Caveira. Neste novo filme, a história é reiniciada do zero e não tem qualquer relação com a produção de 2005. Entram em cena Brie Larson (O Quarto de Jack), Tom Hiddleston (Thor, Vingadores), Samuel L. Jackson (Pulp Fiction), em uma trama recheada de tiros, porrada e bombas.

A trama se passa nos anos 1970 em plena Guerra do Vietnã, quando uma equipe de pesquisadores se aventura em uma ilha misteriosa no meio do pacífico com o objetivo de explorar as riquezas naturais do lugar. A direção da nova versão fica por conta de Jordan Vogt-Roberts (“Os Reis do Verão”). O tom de Kong - A Ilha da Caveira é bem diferente dos filmes anteriores. Neste, conhecemos mais as outras criaturas que habitam a ilha misteriosa em que Kong vive. Assim como o macaco, as criaturas são gigantescas, porém assustadoras. A ação predomina do começo ao fim, com grandes sequências de CGI arrebatadoras. Temos aqui um clima que mistura o seriado Lost, com uma fotografia amarelada que remete ao clássico "O Mundo Perdido". O som também desempenha um papel importante na construção da atmosfera mais aterradora em que os sustos podem vir a qualquer momento.

O longa também deixa de lado a relação de Kong com uma das únicas personagens femininas do elenco. Kong parece mais raivoso e preocupado em proteger o seu lar, e seus momentos de vulnerabilidade e empatia são trabalhados lentamente, um grande acerto.

O filme tem algumas piadinhas e momentos infames que poderiam ter ficado de fora. A fórmula que reúne o combo ação-comédia-sentimentalismo-gancho para sequência é com certeza bem apresentada. Em suma, Kong - A Ilha da Caveira garante bons momentos de diversão e  assistir ao filme em IMAX eleva ainda mais a experiência.

Nota - 8




Kong - [crítica]

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Antes de falar sobre Logan, eu vou inverter a ordem da frase que fecharia o texto para começa-lo: Logan é o melhor filme de super-herói, corra pra vê-lo! Pronto. Dito isso, agora eu posso argumentar sobre essa premissa e você vai entender o motivo.

O filme se passa em 2029 e reúne dois mitos que fizeram parte da equipe dos X-men, Professor Xavier (Patrick Stewart), agora com 90 anos, e o próprio Logan (Hugh Jackman), que evita usar seus poderes e se tornou chofer de limousine. A história já traz uma carga dramática com esses dois personagens que passam por problemas de saúde. Xavier sofre de uma doença degenerativa e quando não toma seus remédios pode ter uma convulsão causando desordem para todos que estão a sua volta. Já Logan está morrendo por dentro. Seu corpo não é mais o mesmo de anos atrás, quando começou a primeira trilogia dos X-men.

Mas o plot principal da história é a entrada de Laura (X-23), que nasceu de um experimento proibido feito com o gene de Logan. A personagem já é famosa por aparecer na série animada “X-men: evolution”. Na época foi uma grande e boa surpresa a sua entrada e agora, no filme, o carisma e o ar enigmático trazidos por Laura é uma das qualidades do longa. A relação de Laura com o mundo lembra muito Eleven de Stranger Things.

Os responsáveis pela criação de Laura vão atrás dela a todo custo, gerando perseguições que lembram Mad Max e cenas de lutas tão incríveis que dão medo. São sangrentas e cruas. Parecem filmes de terror.

Logan é o último filme de Hugh Jackman como Wolverine. Ele se despede do personagem de forma magistral. Merece todo reconhecimento do mundo. Além disso, o longa é uma esperança para a franquia X-men que anda passando por problemas nos roteiros, por mais que eu ame todos os filmes, isso é um fato.



  Do diretor de Flores do Oriente (2011), Yimou Zhang, A Grande Muralha é bem diferente dos trabalhos anteriores do diretor, tendo este como um desafio. O filme é repleto de fantasia e ação do inicio ao fim, além de uma boa dose de feminismo.

  Matt Damon é o William, um mercenário que, juntamente com seu amigo, Tovar, interpretado por Pedro Pascal, partem em busca do que chamam "pó negro" (pólvora). Após serem atacados por uma criatura, chegam nas muralhas da China e são aprisionados, entretanto, acabam se juntando ao exército da china para impedir que uma legião de grandes monstros ataquem a muralha a fim de chegar à cidade.

  Além da relação de amizade entre a líder do exército e o William, o filme não possui algo que te prenda emocionalmente ao ponto de querer rever, mas é um ótimo entretenimento para quem procura, de fato, muita ação, guerra e grandes efeitos técnicos, vale muito a pena ser conferido nesse sentido. O diretor abusou de efeitos especiais para tornar o filme épico e grandioso. E cumpriu o seu papel. 

Assista ao Trailer abaixo


                                     







Já começaram a anotar na agenda as datas dos novos lançamentos da Netflix? A nossa dica é que você faça isso, porque é tanto produto original chegando nesse primeiro semestre que é melhor deixar tudo anotado para não perder nada.

E a gente tá aqui pra ajudar vocês! Reunimos algumas datas do que vem por aí até junho de 2017.

Março:

Dia 10: Love




Dia 10: Buddy Thunderstruck (comédia em stop-motion dos criadores de Ursinhos carinhosos)




Dia 17 – Punho de Ferro





Dia 17: Samurai Gourmet

Dia 17: Na sala com Julie (Uma série infantil com a maravilhosa Julie Andrews)




 Dia 24: Ingobernable (série mexicana sobre a primeira-dama e o presidente do país)

Dia 24: Gracie and Frankie




Dia 31: 13 Reasons Why




Dia 31: The Discovery (filme original com Rooney Mara no elenco)




Abril

Dia 7: Win it all (filme original de Joe Swanberg, criador da série Easy)

Dia 14: Sandy Wexler (novo filme com Adam Sandler)




 Dia 21: Girlboss (série que tem entre os produtores executivos Kay Cannon - A escolha perfeita 1 e 2; 30 rock- e Charlize Theron)




Dia 28: Dear White People (a série adaptada do filme homônimo vem sofrendo boicotes, mas ela chega como uma pedagogia cultural necessária para refletirmos sobre questões raciais)



Maio

Dia 5: The Mars Generation

Dia 5: Sense 8

Dia 12: Anne




 Dia 19: Unbreakable Kimmy Schmidt (VEM, TITUS!!)




 Dia 30: House of cards




 Junho

Dia 9: Orange is the new black






Por Esdras Castiliano

Quando soube que Fargo, filme dos Irmãos Coen de 1996, seria adaptado para a televisão, fiquei ansioso - mas não demorou para que eu também ficasse preocupado devido ao grande número de séries baseadas em filmes e que parecem ficar limitadas à obra inicial. Porém, com Fargo foi diferente. Apesar de todos os elementos essenciais estarem lá, a série ultrapassou e se firmou com tamanha propriedade apoteótica. O nome genial por trás disso é Noah Hawley, criador da série de TV.

 Mas esse texto não é sobre ele e nem sobre o filme, é sobre um aspecto que chamou minha atenção desde o início da série: os títulos dos episódios, com ênfase na segunda temporada. Se esse aspecto, que muitas vezes acrescenta uma enorme carga de profundidade, conquistou você em séries como Breaking Bad e Six Feet Under, Fargo é um prato cheio. Os nomes dos episódios variam entre ensinamentos budistas, ensaios filosóficos, títulos de obras, anedotas, parábolas, paradoxos e enigmas.




Na primeira temporada, isso ocorre de uma maneira mais branda, como uma forma de introduzir diálogos e sequências vistas ao longo da temporadas, mas sem pertencer majoritariamente a um eixo temático específico. Não pretendendo me estender aqui, vou apenas demonstrar com dois dos meus exemplos preferidos:

1x1 - The Crocodile's Dilemma: Lorne Malvo deixa Lester Nygaard numa posição insustentável

O Dilema do Crocodilo

"Um crocodilo rouba uma criança. Quando a mãe reclama, o crocodilo faz a seguinte proposta: “devolverei a sua criança se você adivinhar corretamente se eu a devolverei ou não”. A mãe responde: “Você não vai devolver a minha criança”. O que o crocodilo deve fazer? Se ele devolver então não pode devolver, pois a mãe errou. Mas, se o crocodilo não devolver então tem que devolver, pois a mãe adivinhou corretamente".

1x7 - A Fox, a Rabbit, and a Cabbage: O desencontro dos personagens

O Problema do Fazendeiro: Uma Raposa, um Coelho e um Repolho.

Era uma vez um fazendeiro que foi ao mercado e comprou uma raposa, um coelho e um repolho. No caminho para casa, o fazendeiro chegou à margem de um rio e arrendou um barco. Mas, na travessia do rio por barco, o agricultor poderia levar apenas a si mesmo e uma única compra. Se fossem deixados sozinhos em uma mesma margem, a raposa comeria o coelho, e o coelho comeria o repolho.

O desafio do fazendeiro é atravessar a si mesmo e as suas compras para a margem oposta do rio, deixando cada compra intacta. Como ele fará isso?

É na segunda temporada onde as coisas realmente esquentam e Noah Hawley se desgarra do que o prendia. Eleva Fargo ao nível cinematográfico mais extremo. Aqui, Hawley expõe suas influências do Absurdismo, filosofia onde "O Absurdo se refere ao conflito entre a tendência humana de buscar significado inerente à vida e a inabilidade humana para encontrá-lo". Também encontramos nuances de Existencialismo, Surrealismo e Niilismo. Albert Camus, Franz Kafka e Søren Kierkegaard andaram lado a lado com Fargo.

Assim como no filme, no início de cada episódio a série avisa: "Está é uma história real", mas sabemos que isso é uma afirmação que, de fato, não é verdadeira. Apesar de conter elementos reais, a história é ficcional. Entretanto, parafraseado Beleza Americana (1999): look closer. Se olharmos mais de perto, é uma história real. Fargo é uma alegoria sobre a humanidade.



A segunda temporada começa com uma dupla referência:

2x1- Waiting for Dutch:

Dutch era um apelido para Ronald Reagan. Reagan disse também que seu pai lhe deu o apelido por causa do corte popular do "Dutch Boy".

Também é uma referência ao filme Raising Arizona (1987) dos Irmãos Coen. O personagem de Nicholas Cage, H.I. McDunnough, diz: "Melhor apressar, estou em Dutch com a esposa." Dutch é usado como gíria para problemas aqui.

O segundo episódio "2x2 - Before the Law" é uma referência direta a uma parábola contida no livro O Processo (1919) de Franz Kafka.

Mesmo não sendo o foco do texto, não posso deixar de comentar sobre a utilização da música The Eve of The War lançada em 1998 Jeff Wayne, que é uma releitura da obra Guerra dos Mundos (1898) de H. G. Wells. A narração inicial da música é incorporada ao próprio episódio, fantástico.

Albert Camus, em pleno cenário de guerra, pública seu ensaio sobre o absurdo em 1942, denominado "O Mito de Sísifo", que dá nome ao terceiro episódio "2x3 - The Myth of Sisyphus". A criação do absurdo e Sísifo:

"Todas essas vidas conservadas no ar rarefeito do absurdo não se saberiam sustentar sem algum pensamento profundo e constante que as anima com sua força. Mesmo esta só pode ser um singular sentimento de fidelidade. Viram-se homens conscientes desempenhar sua tarefa em meio às mais estúpidas guerras sem se acreditarem numa contradição. É que se tratava de não se esquivar a nada. Há, desse modo, uma felicidade metafísica a sustentar a absurdidade do mundo. A conquista ou o jogo, o amor inumerável, a revolta absurda são homenagens que o homem presta à sua dignidade numa campanha em que ele está antecipadamente vencido. (...) O desprezo pelos deuses, o ódio à Morte e a paixão pela vida lhe valeram esse suplício indescritível em que todo o ser se ocupa em não completar nada."

2x4 - Fear and Trembling:

Fargo, além de referenciar O Homem que Não Estava Lá (2001) dos Irmãos Coen, segue uma linha parecida com Watchmen (1986) de Alan Moore, ao parodiar os "Arquitetos do Medo", onde um grupo de cientistas, querendo finalizar a Guerra Fria, forjou um prelúdio de uma invasão extraterrestre. Considerando que isso acabaria com as divergências entre dois grupos - o que pode ser facilmente associado aos dois grupos que estão em grande combate na segunda temporada de Fargo - os cientistas acreditavam que tanto a URSS, quanto os Estados Unidos, se uniriam para combater esse mesmo inimigo. E, para finalizar, o nome do episódio é Fear and Trembling, que também é um ensaio publicado em 1843 de Søren Kierkegaard, filósofo dinamarquês, sendo umas da raízes para a explanação das teorias por Albert Camus.

É surpreendente quando lá na frente, a série revela, mesmo que de forma mínima, que as naves espaciais - talvez o maior elemento ficcional usado na série - eram, na verdade, helicópteros. Assim como na primeira temporada os "peixes voadores" foram parte de um fenômeno envolvendo um furacão, algo só revelado mais na frente. Eu me pergunto qual seria a interpretação de Noah Hawley para aquele acontecimento inesperado do filme Magnólia (1999) de Paul Thomas Anderson.



2x5 - The Gift of the Magi:

O Presente dos Magos (1905), conto de O. Henry, em resumo, conta a seguinte história:

"Mr. James Dillingham e sua esposa, Della, são um casal que vivem em um apartamento modesto. Eles têm apenas duas posses das quais se orgulham: ela, um cabelo longo, quase na altura dos joelhos e ele, um relógio de ouro, que pertenceu ao seu pai e anteriormente ao seu avô.

Na Véspera de Natal, com apenas $1.87 nos bolsos e desesperada para encontrar um presente para Jim, Della vende seu cabelo por $20 para uma cabeleireira chamada Madame Sofronie. Assim, ela compra uma corrente para o relógio de Jim por $21. Satisfeita com o presente perfeito para o marido, Della vai até a sua casa e começa a preparar costeletas de porco para o jantar.

Às 7 horas, Della se senta na mesa perto a porta, esperando Jim chegar em casa. Excepcionalmente tarde, Jim entra e se depara imediatamente com o olhar de Della, que tinha orado para que ela estivesse bonita para o marido. Della admite a Jim que vendeu o seu cabelo para lhe comprar o seu presente. Jim dá a esposa seu presente - diversos acessórios de cabelos caros (referidos como "Os Pentes"), que são inúteis agora que seu cabelo está curto. Della, em seguida, mostra a Jim a corrente que comprou a ele, porém o marido diz que vendeu o relógio para conseguir comprar os acessórios. Embora, Jim e Della não possam usar seus presentes, eles percebem o quão longe estão dispostos a ir para mostrar o amor que sentem um pelo outro e como inestimável o amor deles é".

É isso que consigo ver quando penso em Ed e Peggy, protagonistas da segunda temporada. Segundo um amigo chamado Paulo S. através do Banco de Séries, site que postei as análises individualmente : "Entre tantos momentos incômodos e situações críticas, vemos que eles buscam o melhor de si neles mesmos. Eles são pessoas de boa índole e caráter, e não há nada mais primoroso que ver o amor e a confiança que um nutre pelo o outro, nos mais pesares das situações. Parece clichê, mas não é".

Não se contendo aos aspectos da Literatura do Absurdo, Fargo traz também o Teatro do Absurdo com referência a uma peça chamada "Rhinoceros" (1960) de Ionesco e o poema surrealista "Jabberwocky" (1871) de Lewis Carroll em "2x6 - Rhinoceros".

Ao pesquisar sobre a peça "Rinoceronte", encontrei esse texto que resume um pouco a obra:

"De modo inesperado, sem mais nem menos, um rinoceronte surge na praça de uma cidade indefinida. Todos se surpreendem, mas a vida continua. Então aparecem outros rinocerontes. O burburinho ganha vulto. Seria uma ilusão? Teriam vindo da África ou da Ásia? Seriam unicórnios ou bicórnios? Uma senhora diz que está sendo seguida por um desses bichos enormes. Os bombeiros descobrem que, na verdade, o animal era o marido dela, metamorfoseado em rinoceronte. Não tarda e quase toda a cidade se vê vítima da "rinoceronite", a doença que transforma seres humanos em animais selvagens. Todos passam a apreciar a moda de ser rinoceronte. Estranho seria o aspecto humano".



2x7 - Did You Do This? No, You Did It!

Aqui, aparentemente, temos a referência mais simples da segunda temporada. Uma anedota:

Um oficial nazista ao ver a pintura "Guernica" perguntou a Picasso:

- Você fez isso?

E então Picasso respondeu:

- Não, você fez isso!

2x8 - Loplop:

Loplop é uma personagem semelhante a uma ave que aparece nas obras de Max Ernst. Tratava-se também de um alter ego que o autor desenvolveu. Isso explica bastante a cena em que a Peggy está conversando com um, também, possível alter ego.

Nessa temporada, as referências aos filmes dos Irmãos Coen triplicaram, chegando até mesmo a ter planos iguais aos de Onde os Fracos Não Tem Vez (2007). Há uma cena nesse episódio que também se passa numa lojinha ao fundo de um posto e está tudo lá: a tensão, o fechamento dos ângulos, os sons diegéticos, as cordas simulando enforcamento e, dessa vez, com o incremento de armas alimentando a sensação de claustrofobia. Espetacular!

O Castelo (1926) de Franz Kafka é uma obra inacabada, lançada post-mortem e bastante estudada por Albert Camus para incrementar suas teorias quanto ao Absurdo. Essa obra dá nome ao nono episódio da segunda temporada "2x9 - The Castle", narrado pelo Lester Nygaard, protagonista da primeira temporada.

O Castelo conta a história de K. que é chamado por um conde de um local não especificado para prestar seus serviços. Contudo, por mais que tente, não consegue entrar no castelo, ficando na vila de fora do castelo ao longo da narração e caindo na rotina. Albert Camus revela que K. não consegue encontrar respostas para suas interrogações humanas, perante um mundo em silêncio. Estaria ai, então, a sua crise existencial, pois através deste absurdo, não há a possibilidade de revoltar-se com o mundo, já que ao mesmo tempo que vai tomando conhecimento desta realidade, o personagem percebe que foi completamente absorvido pela rotina. Existe também uma versão que diz que o castelo seria o inconsciente de K. e a vila sua consciência.

As interpretações são muitas, ao meu ver, esse seria o castelo que Hanzee tenta adentrar. É gerada uma grande inconformidade, algo que Hanzee Dent vem personificando desde o começo da segunda temporada, o que não é incomum nas obras que os Irmãos Coen se envolvem, pois também não há como esquecer do icônico Daniel Chigurh e sua personificação da violência, morte e destino.



É com "2x10 - Palindrome" que Fargo encerra seu ensaio sobre a comédia de erros, que é a vida. Mas às vezes, alguns acertos também. Fargo é um desses acertos.

Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que tenha a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. Fargo é esse ciclo de violência que se repete; É a pá vermelha sendo retirada da neve, seja no passado, presente ou futuro.

A Comédia de Erros do Ser Humano

16/02/2017
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